Mortal Kombat (Mega Drive)

No início dos anos 90, os jogos de luta eram o carro chefe do mercado. Quando Street Fighter II: The World Warrior chegou aos arcades em 1991 e aos consoles domésticos um ano depois com um sucesso estrondoso, as produtoras concentraram os esforços nos títulos de pancadaria. Entre experiências boas e ruins, foram criados jogos que não caíram nas graças dos jogadores e outros que marcaram época.

Pela qualidade ou pelo apelo à violência, Mortal Kombat marcou o início dos jogos sanguinários como o principal concorrente de Street Fighter II. Lançado pela Acclaim em 1993, o título deu início a uma série que ganha jogos até hoje, embora menos aclamados que nas gerações anteriores, e se tornou um ícone na cultura pop dos videogames – virou filme, desenho animado, inspirou músicas e até foi “clonado” por outros estúdios, assim como o jogo da Capcom.

O estilo introduzido por Mortal Kombat era bem diferente do até então visto nos outros jogos do gênero. A maior diferença eram os gráficos – os personagens eram atores filmados, cuja imagem foi digitalizada e transformada em animação por quadros, o mesmo recurso usado para a programação dos movimentos de Prince of Persia. Os cenários e os próprios personagens fugiam do estilo “desenho animado”, fazendo com que, na época, os gráficos fossem os mais próximos do real possível, dando a sensação das três dimensões.

Com uma história cheia de clichês como pano de fundo – um torneio de “combates mortais” entre o mundo dos humanos e um mundo sobrenatural chamado Outworld – Mortal Kombat tinha sete personagens jogáveis: Rayden, Kano, Sonya (a única mulher do primeiro jogo), Johnny Cage, Liu Kang e os ninjas Subzero e Scorpion, estes que dariam início à produção em série de ninjas utilizados na série. Cada qual com seu motivo, o objetivo desses lutadores era simplesmente derrotar os outros, depois vencer Goro e Shang Tsung, os dois chefes do jogo, e se tornar o grande campeão, diferente de toda aquela história contada no filme que o SBT insiste em reprisar.

Mas o que fez de Mortal Kombat um sucesso não foram as atuações de Christopher Lambert como o deus do trovão e sim a violência, os ossos e o sangue. Afinal, nenhum jogo até então mostrava sangue jorrando toda vez que um gancho era desferido no adversário. Pelo menos não com o “realismo” de Mortal Kombat. E se a violência é o grande atrativo do jogo, o maior crédito por isso vai com louvor para os fatalities, as finalizações especiais que são praticamente o DNA da série. Cabeças e corações arrancados, corpos incendiados e eletrocutados, era disso que o povo gostava e era isso que podia fazer depois de espancar o inimigo e ver um grande “Finish him!” aparecer na tela. Após a execução do comando, então, a animação era ativada e a eliminação sádica do oponente fazia a alegria das massas.


Vídeo com todos os fatalities do jogo

Um ano antes de chegar ao Mega Drive, Mortal Kombat já ganhava espaço nos arcades, e ao mesmo tempo em que foi lançado para o console da Sega, também foi para o Super NES. A diferença é que no Mega Drive foram mantidos os gráficos de sangue, enquanto na plataforma da Nintendo o que  espirrava dos personagens era suor e alguns fatalities, como o de Subzero, foram alterados. O jogo, aliás, foi um dos principais responsáveis pela criação da ESRB (Entertainment Software Rating Board) em 1994, um órgão de classificação etária e censura de jogos casos estes contenham cenas e elementos impróprios para certas idades.

A série continua ainda hoje e, claro, ganhou grandes inovações, novos personagens e toda uma história mais bem elaborada. São cerca de dez títulos – alguns dos quais nem de luta são – distribuídos por mais de 20 consoles. Um título respeitável, criador de parâmetros gráficos e de jogabilidade e merecedor de um lugar entre os mais lembrados.


Trecho do filme Mortal Kombat – O Filme

Super² – os heróis dos quadrinhos no Super Nintendo

Histórias em quadrinhos e videogames é uma combinação que, na maioria das vezes, rende coisas muito boas. Não é para menos, já que a ação e os poderes das HQs combinam e muito com o mundo fantástico dos games. E o que dizer de super heróis dentro do Super Nintendo? Super legal, pelo menos a maioria deles. O console com o ‘super’ no nome teve jogos de vários dos mais famosos personagens dos quadrinhos – do Batman ao Hulk – transportando-os das páginas dos gibis para a tela da televisão deixando o jogador à vontade com seu novíssimo cinto de utilidades.

Death and Return of Superman – O kryptoniano aparece no Super NES não só em sua versão Clark Kent. Seguindo o enredo do quadrinho de mesmo nome, Death and Return of Superman mostra a morte do herói e seu retorno. Aparecem o Cyborg (O Homem do Amanhã), o Superboy (A Maravilha de Metrópolis), o Homem de Aço (uma versão meio-robô-meio-kryptoniana) e o Erradicador (O Último Filho de Krypton), todos jogáveis e com habilidades diferentes. Não é um dos melhores jogos para o console, mas bem divertido para quem é fã do herói, já que remonta toda a história dos quadrinhos, embora com alguns cortes. Apesar de um pouco repetitivo, tinha algumas fazes no estilo ‘shooter’ e ainda permitia que o personagem voasse, algo possível somente ao Superman em um beat’em up.

Batman Returns Sem usar ao extremo seu cinto de utilidades, o homem-morcego estrela um dos melhores beat’em ups do Super NES. Inspirado no filme de mesmo nome (aquele com o Danny DeVitto como o Pinguim), é tudo o que se espera de Bruce Wayne em sua identidade secreta: muita ação. Assim como a vida do super herói, o jogo não é dos mais fáceis, mas tem controles, gráficos e trilha sonora de excelente qualidade. Ótimo trabalho da Acclaim, diferentemente de Batman Forever, da mesma companhia, feito no estilo Mortal Kombat, uma experiência sofrível no console de 16 bits.

The Incredible Hulk – O que o grandão tem de incrível nos gibis não tem nada de incrível no Super NES. A US Gold fez Hulk parecer um ‘anão’ troncudo com dois metros de altura em um jogo horrível, difícil de jogar e com uma música irritante. Onde já se viu um humano resistir a três socos furiosamente carregados com a força dos raios gama? Sem carros para jogar nos adversários, sem paredes para quebrar, apenas humanos aparentemente ultra resistentes que tentam parar o grandão em um game até confuso. Se Bruce Bane visse o que fizeram com o verdinho, provavelmente ficaria furioso e… o resto vocês já sabem.

X-men: Mutant Apocalypse – Um é pouco, dois é bom, três é demais… e cinco é perfeito! Cinco mutantes em um só jogo, cada um com suas habilidades especiais lutando contra Magneto e Apocalypse. Isso é X-men: Mutant Apocalypse, o melhor jogo dos pupilos de Charles Xavier no Super NES. Gambit, Psylocke, Cyclops, Fera e, claro, Wolverine, são os mutantes à escolha do jogador. Além de habilidades específicas, cada um começa em uma fase diferente, e todas devem ser completadas para que o jogo siga em frente. O estilo, ainda que seja parecido com um beat’em up, se encaixa melhor no gênero de ação, já que tem características de plataforma. Bastante difícil também, mas ao mesmo tempo muito divertido, principalmente por conta dos poderes especiais dos personagens e das batalhas – impossíveis – contra Magneto e Apocalypse no fim.

Captain America and The Avengers – Também estrela mais de um herói, embora apenas o Capitão America esteja no título. O soldado tem a ajuda do Homem de Ferro, de Hawkeye e de Vision, embora a equipe original dos Vingadores tivesse apenas os dois primeiros. Assemelha-se a todos os outros jogos citados até agora, mas em vez de socos e chutes, é baseado em projéteis, ou seja, mais parece um jogo de tiro que de luta, mesmo porque tem fases no estilo shooter. Os gráficos são bem simples e os controles não ruins, mas é mal projetado, apresenta bugs frequentes e o grau de dificuldade se eleva repentinamente. O barato é a aparição dos vilões da Marvel, como o Ceifador e o Fanático, e alguns aliados, como a Mulher Maravilha e o Vespa. Além disso, toda vez que se acerta um inimigo aparecem as onomatopéias tradicionais dos quadrinhos, como “POW” e “THWAK!”.

Spiderman & Venom: Separation Anxiety – Jogar com na pele de super heróis é divertido. Controlando um vilão também! Além do Homem Aranha, é possível controlar o simbionte Venom neste jogo, um dos muitos do aracnídeo para o console. Um beat’em up bem simples e divertido, com a adição dos poderes especiais do Aranha, claro. Afinal, não é todo jogo que permite prender os inimigos em uma teia e escalar prédios se balançado em cipós de fluído. É a continuação de Spiderman & Venom: Maximum Carnage, mas dessa vez é possível jogar com herói e vilão simultaneamente, o que torna tudo infinitamente mais fácil e divertido! Além desse dois, o Aranha ainda tem mais três títulos para o console, um deles junto dos X-Men.

Spawn – Fiel à história e até aos estilo gráfico dos quadrinhos, o único título do demônio para Super NES é divertido para quem é fã da série, mas nenhuma experiência nova para quem só está interssado na ação. Embora tenha várias opções de comandos – todos visualmente muito bonitos quando executados – Spawn é simples de aprender, mas difícil de jogar. Ainda assim, traz a mesma ação dos gibis e não deixa a desejar no quesito fidelidade. Inimigos como Overkill e o próprio demônio Malebolgia aparecem como chefes. Seria uma obra prima se o combate fosse mais elaborado, mas ainda assim vale pelas técnicas avançadas de Spawn.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Turtles in Time – Neste que é considerado um dos melhores beat’em ups de todos os tempos, nada de poderes, heróis voadores e cintos de utilidade. Tudo o que há são quatro tartarugas lutadoras, capangas e pizza. Sem dúvida o melhor jogo das Tartarugas Ninja já produzido. Divertido, fácil de aprender, temática de viagem no tempo e os quatro répteis à escolha do jogador são a receita do sucesso de Turtles in Time. Além de Michelangelo, Donatelo, Rafael e Leonardo, vilões típicos dos quadrinhos entravam em cena. Tudo o que os fãs queriam das Tartarugas Ninja estálá, inclusive a música do desenho animado e os gritos de “kowabanga!”. Posteriormente, as Tartarugas Ninja ganharam um jogo no gênero de luta, mas o título não fez sucesso.

Mighty Morphin Power Rangers – Quando os Power Rangers ainda eram um sucesso por aqui e nos Estados Unidos, um jogo foi lançado pela Natsume exatamente nos moldes do seriado da televisão: os cinco adolescentes seguiam batendo nos bonecos desengonçados e, quando as coisas apertavam, era hora de morfar e eles se transformavam nos Power Rangers. Quem era fã da série tinha um prato cheio nas mãos, mesmo não tendo o melhor título para o Super NES. Nas fases finais do jogo, os Rangers invocam o robozão Megazord, como não poderia deixar de ser, para lutar com um monstro de proporções gigantescas. Bastante simples, mas ainda assim bem divertido. Quando ‘morfados’, cada ranger tinha uma arma especial e movimentos próprios. É baseado na primeira geração da série, produzida pela Bandai, a que fez mais sucesso. Posteriormente, foi lançada uma versão de luta dos Power Rangers com cinco Zords (os robôs de cada um) e um novo beat’em up um pouco mais elaborado, que foi produzido com base no filme da segunda geração.

Cruis’n USA / Cruis’n World (Nintendo 64)

Cruisin's Boxshot

Um acelerador e um volante é tudo o que é necessário para se divertir com qualquer Cruis’n. Nesse série estilo arcade, só a vitória é o que interessa – literalmente – e por isso freios e câmbio são dispensáveis, provando que a simplicidade e a diversão também se sobrepõem aos detalhes e à complexidade também nos jogos de corrida.

Dois anos depois de serem originalmente lançados para arcade em 1994 e 1996 respectivamente, Cruis’n USA e Cruis’n World ganharam versões para o Nintendo 64 devido ao enorme sucesso nos fliperamas. Ambos foram criados nos mesmos moldes e guardam muitas semelhanças, sendo praticamente o mesmo jogo a não ser pelos carros e pistas diferentes.

O próprio nome dos jogos revela o pano de fundo – Cruis’n quer dizer “cruzando”, ou seja, no USA você viaja os Estados Unidos de oeste a leste e no World, o jogador vai do Havaí às pirâmides de Gizé, passando pela Muralha da China. Em ambos os títulos, cada pista tem cenários únicos, atalhos e outras particularidades que, embora pouco notados por conta da velocidade das corridas, enriquecem a experiência do jogador. A inclusão de um botão que trocava a trilha sonora no meio das corridas foi benvinda, mesmo que a música ficasse em segundo plano, encoberta pelo ronco dos motores.

O estilo arcade da série Cruis’n é essencial na estrutura dos jogos. Como já foi dito, tudo o que importa realmente é vencer. Se o lugar atingido no pódio não for o primeiro, a próxima corrida não é habilitada – e a imagem de uma beldade entregando o troféu de campeão não aparece na tela. Dessa perspectiva, parece complicado ser sempre o vencedor, mas o nível de dificuldade é absolutamente equilibrado, não sendo tão duro com os iniciantes e nem um passeio para os mais experientes. Esse equilíbrio deve-se à mecânica simples dcruis'n maquinaa série: no modo automático, basta acelerar o tempo todo e guiar o carro. O desafio fica para quem tenta trocar as marchas no manual, o que requer muita prática e ao mesmo tempo deixa tudo mais divertido para quem consegue se habituar com a oscilação do motor. 

Os carros são uma atração à parte. Ferraris, Corvettes e Mustangs são clichês nos jogos de corrida, mas Cruis’n inovou e trouxe um ônibus “old school”, uma viatura de polícia, um táxi nova-iorquino e uma Romiseta como algumas das máquinas selecionáveis, entre outras bizarrices.

Em 2000, a série ganhou um terceiro jogo, Cruis’n Exotica, no qual os elementos fantásticos foram elevados ao extremo – com viagens a locais intransitáveis em carros, como o Alasca, a Amazônia e Marte. Houve algumas adições, como manobras que na verdade nada alteravam o andamento das corridas, mas a estrutura e a jogabilidade permaneceram as mesmas. O título, entretanto, não teve o sucesso que os antecessores, mesmo porque seu lançamento coincidiu com a chegada da nova geração e, consequentemente, de novas versões de Gran Turismo e Need For Speed, além das séries que primavam pelo realismo. As máquinas de arcade dos Cruis’ns, entretanto, podem ser encontradas na maioria das casas de fliperama.

Fichas técnicas
Cruis’n USA
Plataforma: Nintendo 64/Arcade
Produtora: Midway
Gênero: Corrida
Ano: 1996

Cruis’n World
Plataforma: Nintendo 64/Arcade
Produtora: Eurocom Entertainment Software
Gênero: Corrida
Ano: 1998