Frogger (Atari)

Frogger foi um fenômeno dos videogames nos arcades e no Atari, além de ter sido o primeiro grande hit da Konami. O título chegou aos arcades em 1981, e nos consoles domésticos um ano depois, com algumas pequenas alterações gráficas devido às limitações de cada plataforma.

Extremamente viciante, a receita de Frogger era simples. O jogador precisava fazer o sapo atravessar uma avenida movimentada com caminhões, carros e motos e um rio cheio de jacarés, tartarugas e troncos. Tudo isso sem deixar o pequeno anfíbio ser atropelado, sem se afogar ou sem ser comido pelos traiçoeiros répteis. Basicamente, na avenida, o sapo não pode ser atingido pelos objetos que se movem, enquanto no rio ele deve pular exatamente nestes objetos – exceto nos jacarés de boca aberta, claro. (Clique aqui para jogar Frogger!)

Versão para arcade

O sapo podia ser movimentado para os lados, para frente e para trás. A cada cinco anfíbios que o jogador conseguisse colocar do outro lado do rio, um novo nível era iniciado. A dificuldade de cada fase era medida pela velocidade dos objetos na avenida e no rio, e tudo ficava bastante complicado depois de alguns níveis. Frequentemente, moscas e outros sapos apareciam durante o percurso, e se o jogador conseguisse pegá-lo, ganhava pontos extra.

Histórias sobre o clássico do sapinho não faltam. Inicialmente, o jogo se chamaria ‘Highway Jumping Frog’ (algo como “O Sapo que atravessa a avenida”), mas os figurões da Konami avaliaram que o nome não tinha o espírito do jogo, e optaram pela versão mais curta. O jogo aparece também no seriado norte-americano Seinfield, quando George Constanza, um dos personagens, cruza a cidade com um fliperama original de Frogger, parodiando a própria travessia de avenidas do título. Constanza, aliás, fez um recorde ficcional de 863,050 pontos. A única pontuação real registrada que supera a de Seinfield é do norte-americano Pat Laffaye, com 896,980 pontos.

Comercial de Frogger (com Star Wars de bônus)

O Frogger original, ou conversões bastante próximas da versão arcade, foi lançado para mais de 10 plataformas, desde as mais conhecidas às mais raras. Continuações também chegaram aos consoles domésticos e aos fliperamas, mas o primeiro jogo foi que ficou eternizado. Consoles como o Playstation ganharam uma versão 3D, que retomava o jogo original e incluía novos níveis para controlar o sapinho. No Super NES, Frogger foi um dos últimos jogos a ser lançados. Entre os consoles atuais, somente o Xbox 360 disponibiliza-o para download.

Ficha técnica – Frogger
Plataforma: Atari
Desenvolvimento: Konami
Publisher: Parker Bros.
Gênero: Ação
Ano: 1982

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Communist Mutants From Space (Atari)

Aula de história: a Guerra Fria foi um conflito político-ideológico que marcou o mundo entre 1945 e 1991. Símbolos desse evento histórico são a corrida espacial e armamentista empreendida por norte-americanos capitalistas e soviéticos comunistas e, claro, o Muro de Berlim, que dividiu a capital da Alemanha em duas partes permeadas por tais ideologias. A influência da Guerra Fria chegou à cultura de ambos os países, e o conflito político invadiu quadrinhos, o cinema, a literatura e as escolas, principalmente por parte dos EUA, que empreendiam uma verdadeira “caça. Até onde as propagandas anticomunistas poderiam chegar? No Atari.

Communist Mutans From Space é uma criação da Arcadia, um pequeno estúdio que desenvolveu apenas cinco jogos (dois em 1982 e três em 1988), que levou a Guerra Fria para dentro dos Ataris dos norte-americanos em 1982. O título só rodava no console junto de um assessório chamado Starpath Supercharger, que melhorava as capacidades do Atari, algo bem parecido com o Expansion Pak do Nintendo 64. Starpath, aliás, era o nome formal da Arcadia, e o acessório era compatível com pouco mais de seis games, nenhum deles muito famoso, e por isso está submerso no universo dos videogames.

As referências anticomunismo no jogo são hilárias. O jogador controla um canhão de um planeta pacífico e democrático para evitar a invasão de aliens de um mundo comunista que querem tornar todos do universo sovietes sanguinários. Os invasores obedecem a um extraterrestre mais desenvolvido que enlouqueceu depois de ter bebido vodka radioativa. O nome do planeta comunista é Rooskee, uma clara referência a Husky, uma raça de cachorros original da Sibéria. O nome do líder alien é ‘Mother Creature’, ou seja, a Grande Mãe, como os comunistas chamavam a União Soviética. O fato é que o jogo é pura propaganda política – o fator “invasão espacial” foi introduzido só para dar um ar mais próximo dos videogames ao título.

Communist Mutants From Space é bem próximo de Space Invaders, embora apresente algumas diferenças e uma surpreendente quantidade de opções. A mecânica e o objetivo são os mesmos – a nave, na parte superior da tela, se move de um lado para o outro e é preciso destruir todos os inimigos para terminar a fase. Os aliens, porém não avançam gradativamente, mas apenas se movem e frequentemente investem contra o jogador e atiram. A ‘Mother Creature’, que fica atrás do exército invasor, bota ovos e repõe os comunistas eliminados, o que faz dela o principal alvo do jogo. A dificuldade e a velocidade são ajustáveis e é possível ativar escudos, tiros controlados pelo jogador e outros poderes.

As grande variedade de opções foi o grande diferencial do título, mesmo porque as limitações técnicas do Atari não permitiam nenhum jogo muito além dos padrões de Space Invaders. Communist Mutants From Space não está entre os grandes clássicos que eternizaram o console, mas é sempre lembrado como um games de temática mais curiosa da história.

Ficha técnica: Communist Mutants From Space
Plataforma: Atari
Desenvolvimento: Arcadia
Gênero: Shooter
Ano: 1982

Pitfall! (Atari)

“Permitam-me apresentar.  Sou Pitfall Harry, veterano explorador da selva. Caçar tesouros é o meu jogo, e o seu também, se for ousado o bastante para entrar nessa viagem. Não fique com medo, serei seu guia pela selva, e eu sou um dos melhores. Riquezas desconhecidas estão nos esperando lá, mas também há coisas muito mais perigosas. Nós vamos nos balançar em cipós sobre buracos sem fim, vamos pular sobre brejos pisando em crocodilos como se fossem pedras, vamos procurar em cavernas onde vivem escorpiões assassinos. Então prepare sua mochila e me encontre na selva – e partiremos para conseguir as riquezes em ouro de um rei, diamantes e tesouros perdidos – em Pitfall Harry’s Jungle Adventure.”

O texto na parte de trás da caixa original de Pitfall! é o bastante para definir o que é esse clássico do Atari. Ao lado de Pac-Man, River Raid e Enduro (os dois últimos também da Activision),  Pitfall! faz parte do grupo de títulos que construíram a história do console. A viagem de Harry Pitfall à selva ainda é a precursora do gênero aventura, mesmo que seu principal objetivo, assim como todos os jogos do Atari, não era chegar ao final do jogo, mas sim marcar o maior número de pontos.

Tudo em Pitfall! é clássico e simples, como exatamente como o Atari nasceu para ser: os gráficos – um dos melhores do console -, os efeitos sonoros, a história da busca pelos tesouros, os inimigos e armadilhas clichês. Pitfall! é quase um fenômeno cult da cultura dos games.

Pitfall! é o esboço do que viriam a ser os sidescrollers (jogos como Super Mario Bros., lineares, no quais a tela se movimenta junto com o personagem). Mas em vez de o cenário rolar, tudo fica estático, e apenas Harry se move. Ao atravessar completamente a tela, uma outra surge, indicando que ele chegou a outra área, exatamente da forma como viria a ser The Legend of Zelda, do NES, cinco anos depois.

E como todo bom jogo do vovô dos consoles, o objetivo é marcar o maior número de pontos em menos tempo, sem registrar recorde, só por pura diversão.Mas engana-se quem acha que é uma tarefa simples por se tratar de um jogo no qual tudo o que deve ser feito para escapar dos perigos é pular. São 256 telas que guardam 32 tesouros, o que faz de Pitfall! praticamente um labirinto horizontal. Tudo somado a um limite de tempo de 20 minutos e apenas três vidas.

E embora não houvesse outro objetivo se não o de marcar pontos, era praticamente impossível sobreviver todos os 20 minutos. Os troncos de árvore rolando eram simples de desviar, mas os buracos que abrem e fecham em um espaço de três segundos e as séries de três jacarés que eram usados como plataformas nas travessias dos lagos eram os principais motivos de perdas de vida no jogo. Sem esquecer dos escorpiões do subsolo – o pulo devia ser perfeito para que fossem superados.

O Pitfall! original ganhou uma continuação para Atari em 1984, quando a indústria já estava mergulhada na crise, e por isso a sequência ficou pouco conhecida. O clássico só voltou a ser retomado em 1994, quando o Super NES e o Mega Drive ganharam Pitfall: The Mayan Adventure (vídeo abaixo), um ótimo jogo posteriormente lançado também para PC, Sega CD, Gameboy Advance e outros consoles. O Playstation recebeu a passagem para o 3D da franquia com Pitfall 3D: Beyond the Jungle, jogo de pouco sucesso que também ganhou versão adaptada para o Gameboy Color. Em 2004 foi lançado o último título da série, Pitfall: The Lost Expedition, para Xbox, Playstation 2 e Gamecube. O original, porém, pode ser jogado na internet (clique aqui para jogar), pelo bem da preservação dos clássicos.


Vídeo de Pitfall: The Mayan Adventure

Ficha técnica – Pitfall
Plataforma: Atari 2600/Atari 5200
Gênero: Aventura
Produtora: Activision
Ano: 1982

Atari

O mais clássico dos consoles também tem seu espaço no Baú do Videogame. Considerado um cult na história dos videogames, o Atari foi lançado em 1977, oito anos antes do lançamento do NES e, consequentemente, da popularização dos jogos eletrônicos. Mas quando imperava praticamente sozinho no mercado, o console protagonizou a grande crise de 1983. Devido ao crescimento dos computadores domésticos e da baixa qualidade dos jogos, as vendas do Atari decaíram e aos poucos o console foi entrando em extinção, mas permanecendo vivo aqui no blog.