Mike Tyson’s Punch-Out!! (NES)

O boxeador americano Mike Tyson sempre foi considerado o melhor da sua época e um dos grandes lutadores de todos os tempos. Venceu ingleses, africanos, jamaicanos, arrancou um pedaço da orelha de Evander Holyfield. Aos 20 anos, tornou-se campeão mundial e saiu vitorioso em todos os seus primeiros 37 combates no circuito profissional, o que lhe rendeu apelidos como Iron Mike (Mike de Ferro) e Dynamyte Kid (Garoto Dinamite).

Tyson era o ícone máximo do boxe, e a Nintendo colocou o lutador frente a frente com os donos de NES em 1987 com Mike Tyson’s Punch-Out!!, reeditando o título de arcade 1984 com o então imbatível jovem dos ringues.

No papel de Little Mac, um garoto de 17 anos do Bronx cujo peso é inferior a 50 kg, o jogador enfrenta os mais bizarros e monstruosos lutadores até chegar ao desafio dos sonhos – o combate com Tyson pelo título mundial de boxe. Combate que, na esmagadora maioria das vezes, foi vencido pelo Garoto Dinamite.

Aprender a jogar Mike Tyson’s Punch-Out!! era fácil. O problema era se tornar hábil o bastante para chegar à luta final. O limitado controle do NES era o bastante para fazer do título um dos mais divertidos do console. Os botões A e B representavam os golpes dos lados esquerdo e direito respectivamente e o direcional era responsável pela esquiva e por direcionar os socos ao rosto do oponente, enquanto o Start ativava o ataque especial.

Tudo o que era preciso para levar o adversário à lona era desviar e atacar. Mas isso deveria ser feito em um ‘timing’ tão perfeito que os mínimos atrasos poderiam render a perda de metade da barra de vida. Os espaços de tempo para encaixar bons golpes eram bastante curtos, e estudar os oponentes era fundamental. Não bastava bater e bater sem parar, como funcionava em alguns jogos de luta. Era preciso estratégia, e esse era o grande desafio de Mike Tyson’s Punch-Out!!.

Comercial de ‘Mike Tyson’s Punch-Out!!’

Os adversários faziam as vezes do humor do jogo. Preenchendo estereótipos de várias nações – afinal, era o circuito mundial – havia um alemão, um russo, um japonês, um espanhol, todos desenhados de forma caricata. Isso sem contar os mais bizarros, como King Hippo, cujas calças caíam quando recebia um soco na barriga, e o hilário Super Macho Man, cujo nome já diz tudo – era como o Mister Universo.

Além desses adversários, vale lembrar o treinador de Little Mac, Doc Lewis, como um dos mais característicos do título. O juiz dos combates já era um velho conhecido dos jogadores – ninguém menos que o bigodudo Mario. E o último oponente, claro, Mike Tyson, reproduzido perfeitamente nos pixels do NES (imagem ao lado). Tyson, aliás, foi removido do jogo quando houve um relançamento, em 1990. O contrato de uso de direitos lutador com a Nintendo havia acabado e ele acabnou substituído pelo fictício Mr. Dream.

Além da versão para arcade (bastante diferente, vale conferir), a série Punch-Out!! manteve a maior parte de seus elementos – da mecânica aos personagens – até atualmente.  Chegou ao Super NES em 1994 com Super Punch-Out!! e recentemente ao Wii, com o nome de apenas Punch-Out!! e utilizando os sensores de movimento dos controles nas lutas.

Ficha técnica – Mike Tyson’s Punch-Out!!
Plataforma: NES
Produtora: Nintendo
Gênero:  Luta
Ano: 1987

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Contra (NES)

 

Contra é dos poucos títulos de ação para o NES que fez sucesso. No console no qual reinava o gênero plataforma, fazer um bom jogo de tiro não era tarefa fácil. A maioria tinha erros de programação e apresentavam níveis de dificuldade extremos. Felizmente, estúdios como a Konami  acertaram a mão e deram aos jogadores títulos memoráveis como esse. 

Lançado em 1987 para arcade e um ano depois para o NES, Contra se tornou um clássico seja pelo que significou para o desenvolvimento dos jogos de ação, seja pelos pesadêlos que rendeu aos jogadores – ainda hoje, pode ser considerado um dos jogos mais difíceis da história. 

 

Para quem está familiarizado somente com os jogos um pouco mais recentes, Contra pode ser considerado a versão 8-bits de Metal Slug. Tudo o que há na série da SNK já havia sido encontrado na da Konami antes – ação em sidescroller, várias armas diferentes, um exército quase infinito de inimigos – claro que tudo nas limitações técnicas do NES, até porque são quase dez anos de diferença entre um título e outro. 

Mas o que um sidescroller de ação teria de tão especial? Aparentemente, nada, visto que a primeira impressão que Contra deixa é de que é um jogo normal. A diferença, porém, está no modo como tudo foi construído pela Konami. Os controles, os inimigos, o design das fases, tudo foi projetado com perfeição para que o desafio do jogo o tornasse o melhor título de ação para sua época. 

Mesmo com a possibilidade de atirar em todas as oito direções e contar com cinco tipos de armas – para a época, até que era bastante, qualquer jogador suava sangue para chegar ao fim do jogo. Quando o jogo era iniciado, o jogador tinha três continues com três vidas cada para passar todas as oito fases repletas de aliens. Detalhe: ser atingido por qualquer coisa significa morte. Não é preciso dizer que muita gente considera Contra uma experiência frustrada. Mas para quem não aceitasse o desafio, a Konami tinha a velha carta na manga – bastava apertar ▲, ▲, ▼, ▼, ◄, ►, ◄, ►,  A, B e Start na tela-título para que o código marca-registrada da produtora fosse acionado e 30 vidas ficavam à disposição de quem resolvia se aventurar novamente, facilitando um pouco o trabalho. E o mais irônico é que depois de sofrer até com o código acionado, depois de finalizado o jogo, tinha início uma nova rodada desde a primeira fase, dessa vez no modo difícil, com mais inimigos e mais tiros.

Os curiosos que quiserem ler o texto atrás da capa original de Contra vão se deparar com a citação de “labirintos 3D” no jogo. Exageros da Konami, já que obviamente o NES jamais suportou qualquer tentativa de ultrapassar o universo das duas dimensões. O que havia, na realidade, eram fases nas quaiso cenário era desenhado com perspectiva de profundidade, e como todos os inimigos apareciam na parte superior da tela, havia a sensação das três dimensões (no vídeo e na imagem acima). Embora a verdade estivesse longe disso, era algo até então nunca visto e rendeu uma experiência nova aos jogadores.

Após o primeiro Contra para o NES, a franquia ganhou outros títulos, mas poucos foram tão bons como o pioneiro. Foram mais de dez jogos lançados para todos os principais consoles e portáteis. A passagem da série para o 3D, entretanto, foi muito ruim e passou despercebida, apagada por jogos de ação com melhor qualidade. Mas de uma forma ou de outra, o original permanece como um dos maiores desafios para quem quer gastar algumas horas com um controle de NES nas mãos.

Ficha técnica – Contra
Plataforma: NES
Produtora: Konami
Gênero: Ação
Ano: 1988

Kirby’s Adventure (NES)

Kirby's Adventure Boxshot

No ocidente, Kirby divide espaço com figurões como Donkey Kong, Mario e Link por ser um submascote da Nintendo, mas é no Japão que a bolota rosa faz sucesso, até por sua aparência de anime. Dados geográficos à parte, o personagem – que alguns dizem ser macho e outros fêmea – estreou no Gameboy em 1992 com Kirby’s Dream Land, mas foi com Kirby’s Adventure, para NES, de 1993, que se consolidou como uma marca da produtora japonesa por meio de um jogo comum, igual a todos os outros, mas ao mesmo tempo diferente e inovador.

Como um título tradicional de plataforma e aventura, Kirby’s Adventure segue os mesmos padrões de qualquer outro jogo do gênero – fases curtas no modo side-scrolling, inimigos pelo caminho até chegar à última etapa de determinada série, onde se enfrenta o chefe. Até então, tudo normal, mas as diferenças começam na forma de enfrentar os inimigos. Enquanto nos games referência do gênero – Mario e Sonic, por exemplo – os adversários são eliminados quando o personagem pula em cima deles, Kirby os derrota usando sua principal habilidade, a de sugá-los.

Não apenas os engole, Kirby também copia seus poderes, o que faz de Kirby’s Adventure um jogo mutante, no qual o jogador “escolhe” a habilidade especial do personagem. Pode ser uma rajada de fogo, um raio laser, uma espada, se tranformar em um tornado ou em uma pedra, tudo dependendo do inimigo absorvido. Logo, com 24 habilidades diferentes, pode ser um jogo de tiro, ou um jogo de ação, de acordo com a preferência de quem estiver jogando.Kirby's Adventure Screenshot

Um personagem que pode adquirir várias habilidades soa muito bem, e a Sega, então maior rival da Nintendo, fez questão de criar o seu “mutante”. Kid Chameleon, um dos melhores título para o Mega Drive, também tinha seu principal atrativo na mudança de poderes, mas em vez de algo parecido com um marshmallow rosa, foi adotado um garoto. Kirby e Kid Chameleon guardam muitas semelhanças, e ambos podem ser baixados pelo Virtual Console do Wii.

Por ter sido criado no fim da geração do NES, o título tem uma qualidade gráfica e sonora muito acima da média para o console. O que mais chama a atenção, entretanto, é a quantidade de movimentos avançados que deixam o jogo mais completo e versátil. Além das movimentações básicas, há comandos de execução de técnicas especiais pouco comuns nos games da geração. Os controles, aliás, são uns dos mais sólidos do primeiro console da Nintendo.

Após os jogos de aventura, Kirby ganhou alguns títulos de puzzle como Kirby’s Avalanche e passou a figurar nos Super Smash Bros. – game de luta que reúne os personagens “nintendistas” – como personagem selecionável. Em Kirby 64: The Crystal Shards, a bolota rosa podia misturar os poderes, algo até então inédito em sua série. Atualmente há jogo para o Nintendo DS e um em projeto para Wii, mas nem mesmo os japoneses têm data marcada para seu lançamento.

Ficha técnica – Kirby’s Adventure
Plataforma: NES
Gênero: aventura/plataforma
Produtora: Hal Laboratories/Nintendo
Ano: 1992

NES

O Nintendo Entertainment System (NES), ou Nintendinho, como foi nomeado no Brasil, foi lançado em 1983 e deu início à trajetória da fabricante japonesa no mercado dos jogos eletrônicos. A plataforma 8-bit era até pouco tempo a mais vendida da Nintendo e foi nela que as principais franquias da empresa tiveram seu início, como Super Mario Bros, Zelda e Metroid. Essa será a seção na qual relembraremos os principais jogos do console, conhecido como Famicom (abreviação de Family Computer) no Japão.