Perfect Dark (Nintendo 64)

007 Goldeneye foi o grande título de tiro em primeira pessoa no Nintendo 64. A versão eletrônica de James Bond reinventou o gênero e trouxe um dos modos multiplayer mais celebrados até então. O sucesso foi tão grande que a Rare decidiu fazer uma sequência, e nem estamos falando de 007 – The World Is Not Enough. O assunto aqui é Perfect Dark.

Perfect Dark não é a sequência oficial de 007 Goldeneye, mas é o sucessor que carregou a aprimorou o DNA do agente secreto britânico. Foi lançado em 2000, três anos depois do primeiro jogo de tiro da Rare para o console e fez bastante sucesso, principalmente por conta da qualidade técnica – ganhou notas altíssimas nas publicações especializadas.

Desde que as primeiras notícias sobre o desenvolvimento de Perfect Dark começaram a surgir, o jogo foi logo vinculado à linha sucessória de 007 Goldeneye. Quando ele chegou ao mercado, a teoria foi comprovada – as semelhanças mecânicas e gráficas são incríveis, até porque ambos foram produzidos com a mesma engine. A sensação de jogar um é a mesma de jogar o outro, e não fosse pelas armas, personagens e mapas diferentes, seriam a mesma coisa.

Em vez de estar na pele de James Bond, o jogador assume o papel de Joanna Dark, uma agente secreta envolvida em missões para um laboratório de tecnologia que acaba descobrindo uma conspiração alien por trás de tudo. Os controles  e a mecânica são estritamente os mesmos, mas foi incluído o comando de pulo. A maioria das armas foram renovadas, outras tiveram apenas o nome trocado, mas quase todas ganharam uma segunda função. Apenas os gráficos, bastante avançados para a época de 007 Goldeneye, não tiveram muitas melhoras, mas nada que prejudique a qualidade técnica do jogo.

O que impressionou em Perfect Dark foi o altíssimo nível da inteligência artificial. No modo principal, isso não fica tão evidente, embora alguns inimigos se esquivem, deitem e se escondem, mesmo que sem dificultar muito as coisas para o jogador. Mas nas missões solo, era possível escolher o nível dos simulants, os chamados ‘bots’, e alguns deles se mostravam verdadeiras máquinas de matar. No modo multiplayer, Perfect Dark reuniu os melhores aspectos de 007 Goldeneye e aprimorou. Mais modalidades, mais opções, e até um modo cooperativo nas missões.

A saga de Joanna Dark foi talvez o melhor first person shooter do Nintendo 64, mas não fez o mesmo sucesso de 007 Goldeneye. Um dos motivos que explica isso é a data de lançamento, bastante próxima do fim da vida útil do console. Apesar disso, Perfect Dark foi o grande lançamento de 2000 para a plataforma e frequentemente é lembrado entre seus melhores títulos. O Xbox 360 ganhou uma nova versão do jogo em 2005, Perfect Dark Zero, mas o original é o mais novo lançamento no console – chegou à Live na segunda semana de março e está disponível para download.

Ficha técnica – Perfect Dark
Plataforma: Nintendo 64
Desenvolvimento: Rare
Gênero: Tiro/FPS
Ano: 2000

As jóias multiplayer do Nintendo 64

O Nintendo 64 foi o primeiro console lançado com suporte para quatro jogadores simultâneos sem a necessidade de acessórios para plugar mais de dois controles na plataforma. Embora tenha sido desbancado pelo Playstation nas vendas do mercado, a praticidade do console fez com que ganhasse títulos cujos modos multiplayer trouxessem experiências completamente novas.

Entre jogos que foram produzidos especialmente para mais de um jogador e outros que simplesmente caíram como uma luva para os modos multiplayer, o Nintendo 64 tem um vasto acervo. Vamos relembrar alguns dos mais importantes e divertidos deles, mas sem deixar os fios dos controles enrolarem!

Mario Party (Hudson/1999) – Depois de jogar tênis, golfe e andar de kart, a turma da Nintendo resolveu fazer uma festa. E então foi retomado o gênero de tabuleiro e iniciada uma série que ganha edições até hoje. Mario Party podia ser jogado por apenas um jogador, mas foi feito, como o próprio nome já diz, para ser uma festa. Juntar quatro pessoas para jogar os dados e batalhar nos mais criativos minigames era o grande barato do jogo. No Nintendo 64, chegou até Mario Party 3, e então a série migrou para as outras gerações de consoles. O primeiro, entretanto, ficou marcado como o que inaugurou a franquia – e que destruiu a alavanca dos controles.

Mario Kart 64 (Nintendo/1996) – As corridas do encanador e sua turma já haviam se consolidado no Super NES, onde surgiram. Em três dimensões e com quatro jogadores, tudo ficou ainda melhor. Jogabilidade mais complexa – mais ainda assim bastante simples, mais pistas, personagens e itens apenas ajudaram a franquia a melhorar. O modo Battle, no qual o objetivo era atingir os adversários em uma arena, acirrava a competitividade, mas era durante as corridas que os cascos vermelhos eram atirados com fúria. Vale lembrar aqui também Diddy Kong Racing, que embora tenha ficado às sombras de Mario Kart 64, também tinha um respeitado multiplayer.

Super Smash Bros. (HAL Labs/1999) – Esportes, corridas e festas foram pouco para os personagens da Nintendo. Os produtores então foram além e colocaram os mascotes para brigar. O resultado foi um dos melhores jogos já criados para Nintendo 64 e uma revolução no gênero luta. Cada jogador podia selecionar seu personagem favorito – cada um com uma ampla variedade de técnicas – e partir para a briga. Um aspecto interessante sobre Super Smash Bros. é que, diferentemente dos outros multiplayers, a tela não era dividida em duas, três ou quatro seções, e uma mesma perspectiva era compartilhada por todos os jogadores. O jogo ficou tão marcado como opção de multiplayer que campeonatos de altíssimo nível foram – e ainda são – realizados por aqui e nos EUA devido ao desenvolvimento das habilidades dos jogadores.

007 Goldeneye (Rare/1997) – Considerado um dos melhores FPS de todos os tempos, o jogo baseado no filme do agente secreto 007 era obrigatório na biblioteca de qualquer dono de um Nintendo 64. Horas e horas eram gastas em frente à televisão quando quatro pessoas se juntavam para jogar esse que foi um dos primeiros títulos de tiro para o console. A grande variedade de mapas e modos de jogo disponíveis ajudaram ainda mais a perpetuar a vida útil do jogo produzido pela Rare, responsável por outras obras-primas para o console como Perfect Dark e Donkey Kong 64.

Pokémon Stadium (HAL Labs/2000) – Depois do estrondoso sucesso no Gameboy, os monstrinhos passaram a ganhar jogos em outras plataformas. No Nintendo 64, chegaram com o que fazem de melhor – as lutas. Pokemon Stadium era basicamente um jogo de RPG: o jogador usava o monstrinho para atacar e esperava a vez do adversário. Mas o atrativo multiplayer desse título estavam nos minigames. Em paralelo ao modo de batalhas principal, havia uma pequena seleção de minigames envolvendo os bichinhos e suas habilidades especiais. Todos muito simples, mas que proporcionavam disputas acirradíssimas entre os jogadores, ainda mais por utilizar um sistema de tabela para ver quem seria o campeão. O link do vídeo é para uma compilação dos minigames de Pokemon Stadium 2, que trouxe modalidades novas e tão divertidas quanto as antigas.

Conker’s Bad Fur Day (Rare/2001) – O jogo mais politicamente incorreto e bem humorado do console trouxe uma variedade imensa de modos multiplayer. Disputa por um saco de dinheiro dentro de um cofre cheio de armas, perseguições entre homens das cavernas e dinossauros e uma guerra entre o exército de esquilos e as tropas dos ursinhos de pelúcia malvados levavam os jogadores à loucura com a carnificina cartunesca de Conker’s Bad Fur Day. O título não ficou tão famoso porque saiu já no final da vida útil do Nintendo 64, mas rendeu boas risadas e horas de diversão para quem o jogou em turma.

Turok: Rage Wars (Acclaim/1999) – A série Turok fez um grande sucesso no Nintendo 64, tornando-se uma das poucas boas opções de FPS para o console e com um sólido modo multiplayer. Turok: Rage Wars foi o primeiro a ser produzido exclusivamente para ser jogado por mais de uma pessoa. Isto é, não um modo campanha, uma história para que o jogo se desenvolvesse e o jogador avançasse. Claro que era possível jogaro sozinho, carregando os ‘bots’ (robôs programados pelo jogo, com vários níveis de dificuldades) e os caçando, mas a verdadeira diversão – e o verdadeiro propósito – do título era jogá-lo com os amigos.

International Superstar Soccer 64 (Konami/1997) – Enquanto Winning Eleven fazia rios de dinheiro para a Konami no Playstation, International Superstar Soccer era o ganha-pão da produtora no Nintendo 64. Com pouca concorrência, o excelente título de futebol rendeu partidas históricas com seus mais que conhecidos craques fictícios – Allejo, Pardilla, Carboni, Coliuto, Fuerte e Sieke – e pelas brigas por causa dos jogadores “fominhas”, o que acontecia com maior frequência quando eram quatro jogadores contra a CPU. A série ainda ganhou as versões ISS 98 e ISS 2000, ambas bastante parecidas com a original e trazendo algumas inovações.

Cruis’n USA / Cruis’n World (Nintendo 64)

Cruisin's Boxshot

Um acelerador e um volante é tudo o que é necessário para se divertir com qualquer Cruis’n. Nesse série estilo arcade, só a vitória é o que interessa – literalmente – e por isso freios e câmbio são dispensáveis, provando que a simplicidade e a diversão também se sobrepõem aos detalhes e à complexidade também nos jogos de corrida.

Dois anos depois de serem originalmente lançados para arcade em 1994 e 1996 respectivamente, Cruis’n USA e Cruis’n World ganharam versões para o Nintendo 64 devido ao enorme sucesso nos fliperamas. Ambos foram criados nos mesmos moldes e guardam muitas semelhanças, sendo praticamente o mesmo jogo a não ser pelos carros e pistas diferentes.

O próprio nome dos jogos revela o pano de fundo – Cruis’n quer dizer “cruzando”, ou seja, no USA você viaja os Estados Unidos de oeste a leste e no World, o jogador vai do Havaí às pirâmides de Gizé, passando pela Muralha da China. Em ambos os títulos, cada pista tem cenários únicos, atalhos e outras particularidades que, embora pouco notados por conta da velocidade das corridas, enriquecem a experiência do jogador. A inclusão de um botão que trocava a trilha sonora no meio das corridas foi benvinda, mesmo que a música ficasse em segundo plano, encoberta pelo ronco dos motores.

O estilo arcade da série Cruis’n é essencial na estrutura dos jogos. Como já foi dito, tudo o que importa realmente é vencer. Se o lugar atingido no pódio não for o primeiro, a próxima corrida não é habilitada – e a imagem de uma beldade entregando o troféu de campeão não aparece na tela. Dessa perspectiva, parece complicado ser sempre o vencedor, mas o nível de dificuldade é absolutamente equilibrado, não sendo tão duro com os iniciantes e nem um passeio para os mais experientes. Esse equilíbrio deve-se à mecânica simples dcruis'n maquinaa série: no modo automático, basta acelerar o tempo todo e guiar o carro. O desafio fica para quem tenta trocar as marchas no manual, o que requer muita prática e ao mesmo tempo deixa tudo mais divertido para quem consegue se habituar com a oscilação do motor. 

Os carros são uma atração à parte. Ferraris, Corvettes e Mustangs são clichês nos jogos de corrida, mas Cruis’n inovou e trouxe um ônibus “old school”, uma viatura de polícia, um táxi nova-iorquino e uma Romiseta como algumas das máquinas selecionáveis, entre outras bizarrices.

Em 2000, a série ganhou um terceiro jogo, Cruis’n Exotica, no qual os elementos fantásticos foram elevados ao extremo – com viagens a locais intransitáveis em carros, como o Alasca, a Amazônia e Marte. Houve algumas adições, como manobras que na verdade nada alteravam o andamento das corridas, mas a estrutura e a jogabilidade permaneceram as mesmas. O título, entretanto, não teve o sucesso que os antecessores, mesmo porque seu lançamento coincidiu com a chegada da nova geração e, consequentemente, de novas versões de Gran Turismo e Need For Speed, além das séries que primavam pelo realismo. As máquinas de arcade dos Cruis’ns, entretanto, podem ser encontradas na maioria das casas de fliperama.

Fichas técnicas
Cruis’n USA
Plataforma: Nintendo 64/Arcade
Produtora: Midway
Gênero: Corrida
Ano: 1996

Cruis’n World
Plataforma: Nintendo 64/Arcade
Produtora: Eurocom Entertainment Software
Gênero: Corrida
Ano: 1998

Nintendo 64

O console da terceira geração Nintendo, lançado em 1996, marcou por ser o primeiro a oferecer suporte para quatro jogadores simultâneos sem a necessidade de um periférico. Rei dos jogos multiplayer, o Nintendo 64 teve bastante êxito, mas também marcou o momento em que a fabricante japonesa deixou pela primeira vez a liderança do mercado, ficando atrás do Playstation, da Sony. E é aqui que o Nintendo 64, o console lançado no maior número de cores diferentes, será eternizado.