Gran Turismo (Playstation)

O texto da caixa de Gran Turismo não exagera em nada quando dá ao jogador aos boas vindas para “o jogo de corrida mais avançado já criado”. Pelo menos até então, em 1997, nenhum jogo do gênero havia chegado ao patamar de realismo que a equipe da Polyphonyc Digital conseguiu desenvolver. Não à toa, o subtítulo do game é “o simulador real de pilotagem” (‘the real driving simulator’).

A maioria dos jogos de corrida produzidos até então tinha a jogabilidade bastante artificial e até os que se propunham a fazer algo mais aproximado da realidade não tinham muito êxito nesse aspecto, principalmente por conta da física e nos controles de dentro do título. E é exatamente nesse ponto que o realismo de Gran Turismo impressiona. A dificuldade para fazer curvas em alta velocidade e a facilidade com que alguns carros derrapam reproduzem com fidelidade um ambiente real. A própria inteligência artificial da CPU faz parecer que os outros competidores também são jogadores humanos e o padrão de dificuldade é ideal, parece até se adaptar ao nível do jogador. O único aspecto em que obviamente não foi possível uma simulação perfeita foram as colisões – do contrário, muitos carros estariam destruídos nos Playstations.

Mas o realismo não se dá somente dentro das corridas. Antes de sair acelerando em busca do lugar mais alto do pódio, o jogador tem que tirar licenças para competir, e só pode entrar em determinados campeonatos se tiver a permissão certa. Depois disso, nada de carro novo – o pouco dinheiro na reserva só dá para comprar um modelo usado com o qual o jogador tem que se virar para vencer as corridas menos prestigiadas e conseguir verba para adquirir máquinas melhores.

Nem só de comprar carros, porém, vive o jogador. Uma das opções mais marcantes de Gran Turismo, que aliás foi um dos pioneiros nesse modo, é poder melhorar o carro com novos equipamentos e ajustes. Além de gastar um bom dinheiro investindo em aspiração, freios, embreagem e turbo, o jogador também pode modificar o tempo da troca das marchas para dar mais potência ao veículo, o que aumenta ainda mais a sensação de realidade do jogo, embora demande também bastante conhecimento técnico. De qualquer forma, a customização foi um aspecto muito bem aceito e um dos grandes atrativos do simulador.

O universo automobilístico de Gran Turismo é imenso. São 172 modelos de 18 marcas, desde as máquinas mais simples até os sonhados Toyota Supra e Mitsubishi GTO e lendas como o Dodge Challenger. Há modelos, porém, que só podem ser adquiridos após a realização de certas tarefas. A variedade é tão grande que conseguir uma exemplar de cada modelo era tarefa para poucos e pacientes. A notícia boa é que a garagem virtual  e os estoques das montadoras não têm limites e a coleção pode ser infinita.

A belíssima introdução do jogo

As competições também são variadas. Há campeonatos curtos, corridas individuais e endurances – provas que chegam a durar quase uma hora, todos com  premiações e suas emoções particulares. Cada um dos torneios, porém, pede um tipo de carro, e por isso há tantos modelos disponíveis. Há provas que pedem carros de determinada nacionalidade, outras impõem um limite de peso ou potência e há as que só permitem a entrada de máquinas especialmente preparadas para corridas mais longas.

O sucesso de Gran Turismo é evidente. O título foi o mais vendido da história do Playstation, com 10.85 milhões de cópias comercializadas em todo o mundo. A continuação, Gran Turismo 2, também para o primeiro console da Sony, é o terceiro dessa lista, com 9.37 milhões de cópias vendidas, pouco atrás dos 9.8 milhões de Final Fantasy VII, considerado um dos melhores títulos da plataforma. A franquia seguiu angariando fãs com os Gran Turismo 3 e 4 no Playstation 2 e deve surpreender novamente com Gran Turismo 5 para o Playstation 3, que deve sair ainda este ano, mas ainda não tem data de lançamento marcada.

Ficha técnica – Gran Turismo
Plataforma
: Playstation
Produtora: Polyphony Digital
Publisher:
Sony
Gênero
: Corrida/Simulador
Ano
: 1997

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Tony Hawk’s Pro Skater (Playstation)

THPS boxshot

 A Activision se tornou especialista em publicar  jogos de esportes radicais. Mas antes de lançar seus títulos de surfe, BMX e até wakeboard, acertou em cheio com Tony Hawk’s Pro Skater. Tanto que a série até hoje ganha uma sequência atrás da outra, melhora cada vez mais e não dá sinais de que abandonará seus fãs tão cedo.

A fórmula do sucesso de Tony Hawk’s Pro Skater é complexa, mas três fatores têm um peso significativo em sua popularização. Antes de mais nada, o jogo leva o nome do maior skatista até então, se não o melhor de todos os tempos, e estrelava esportistas reais. Além disso, explorou um esporte pouco recorrente nos jogos eletrônicos e colocou um fim à ausência da modalidade nos games – o último título significativo de skate havia sido Skate or Die, para o NES, lançado em 1988, onze anos antes de Tony Hawk’s Pro Skater. Por fim, praticamente criou um novo subgênero por meio de um jogo divertidíssimo e completamente inovador.


Vídeo da versão do Nintendo 64, praticamente a mesma do Playstation

 Não só o primeiro jogo, mas toda a série Tony Hawk’s não é das mais fáceis de aprender a jogar. Gastam-se horas até realmente pegar o jeito de controlar o skate, principalmente neste jogo de estreia, que consequentemente serviu de escola para as sequências. Parte da dificuladde está no fato de que o jogador deve se preocupar com diversos fatores simultaneamente, como o equilíbrio, a direção, a velocidade e ainda trabalhar sob pressão do tempo – no modo carreira, os objetivos são completados em apenas dois minutos. A perspectiva em terceira pessoa, porém, facilita o controle do skatista, e a câmera funciona de maneira que o jogador possa planejar as próximas manobras. E apesar da dificuldade apresentada para que não estava acostumado com videogames, tratando-se de controles e jogabilidade, Tony Hawk’s Pro Skater já começou próximo da perfeição. Resposta imediata, sensibilidade na medida certa e física próxima do real, embora a programaçãop do jogo não reconhecesse todas as “impossibilidades” que podiam ser realizadas.

THPSA construção das pistas, baseadas em locais reais, também sempre foi um dos pontos fortes da série. Rampas ligando lugares e corrimãos estrategicamente posicionados revelam uma preocupação extra e provavelmente muitas horas de testes para deixar cada fase perfeita. As texturas são muito bem detalhadas e, o mais importante, mesmo com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, a taxa de quadros sempre permanecia estável. O modo multiplayer também recebeu atenção especial, com três modalidades diferentes para disputar com os colegas quem fazia mais pontos – ou caía menos…

A trilha sonora de toda a série Tony Hawk é uma atração à parte. Composições de rap, hiphop, ska, hardcore, rock e suas inúmeras vertentes (punk, hard, folk, etc) dão o tom nos jogos do skatista. E não há como negar que o sucesso de Tony Hawk’s Pro Skater levou à popularização de algumas bandas em particular. Superman, a música do vídeo, é a mais lembrada do jogo, e por conta dela, seus criadores, o grupo americano Goldfinger, ganharam muito mais fãs. Fora os grandes nomes que estrelam os outros jogos da série, como Motorhead, Ramones, Red Hot Chilli Peppers, Rage Against The Machine e vários outros.


Vídeo insano do jogo sendo batido – não 100% – em menos de 7 minutos.

Outra questão extrajogo relativa a Tony Hawk’s Pro Skater é a popularização do skate como esporte, pelo menos no Brasil. Desde o lançamento do jogo, em 1999, o número de praticantes da modalidade subiu significativamente, o que fez com que a Rede Globo passasse a exibir em rede nacional os campeonatos profissionais do país. Soma-se a isso o fato de o Brasil ter skatistas que se destacaram no cenário mundial do esporte, como o próprio Bob Burnquist, presente nos jogos de Tony Hawk, e Sandro Dias.

Tony Hawk’s Pro Skater chegou antes ao Playstation e no ano seguinte foi lançado para Nintendo 64 e Dreamcast. Mais tarde, ainda em 2000, chegou em uma versão diferente para Gameboy Color, visto que essa plataforma não tinha suporte para jogos em três dimensões. A série evoluiu e ganhou novos aspectos – em Tony Hawk’s Underground, o personagem pode andar a pé por curtos períodos – e variações – Tony Hawk’s Downhill Jam é um jogo de corrida, ainda que envolva manobras, mas ainda assim o jogo original é considerado um dos melhores já publicados pela Activision.

Ficha Técnica – Tony Hawk’s Pro Skater
Plataforma: Playstation/Nintendo 64/Dreamcast
Produtores: Neversoft/Activision
Gênero: Esportes
Ano: 1999

GTA 2 (Playstation)

Grand Theft Auto 2 também foi lançado para PC e, posteiormente, para Game Boy Color
Grand Theft Auto 2 também foi lançado para PC e, posteriormente, para Game Boy Color

Grand Theft Auto foi sempre um festival de roubo de carros, tiros e o mundo do crime, das gangues e do dinheiro. A série se popularizou após o lançamento de GTA 3 em outubro de 2001, o que ajudou o Playstation 2 a assumir a liderança nas vendas dos consoles da geração, e só teve melhoras com as continuações Vice City e San Andreas posteriormente.

"Visão aérea" e diversão politicamente incorreta

"Visão aérea" e diversão politicamente incorreta

Mas se GTA chegou à terceira edição, é porque teve dois antecessores. O mais famoso foi GTA 2 e, embora seja para plataformas com o suporte para visuais 3D como o dos jogos mais novos da série, tem uma mecânica completamente diferente dos títulos para os novos consoles.

 
A primeira grande diferença notada é a perspectiva de GTA 2. O jogo é em terceira pessoa, visto por cima e só se vê, literalmente, a cabeça dos personagens, o teto e o capô dos carros.  Essa mecânica é obviamente inspirada em RPGs, mas foi usada pela primeira vez em um jogo de ação de um console de suporte 3D e foi muito pouco utilizada desde então.

Mas tudo o que as versões mais recentes apresentam em termos de diversidade, GTA 2 teve o bastante para satisfazer quem experimentava um jogo daquele tipo pela primeira vez, exceto uma história aprofundada para justificar o envolvimento com gangues e crimes. Dezenas de armas, veículos (apenas os terrestres – e sem motos) e formas de se divertir da maneira mais politicamente incorreta possível.

GTA 2 instituiu na série a possibilidade de fazer “trabalhos” para gangues diferentes para adquirir respeito e conseguir novas tarefas, o que foi levado aos outros jogos da série e inclusive atrelado à história, como ocorre em GTA San Andreas.

Um dos grande méritos da série é o fato de o jogador não se sentir preso a objetivos e ter de seguir uma história pré-definida. GTA permite que o jogador apenas se divirta livremente às custas de carros roubados e combates com policiais. O princpal atrativo da série é a liberdade de simplesmente jogar para estabelecer o caos livremente pela cidade, com o único objetivo de se divertir, o que fica ainda mais evidente em GTA 2, já que quase tudo o que é feito rende dinheiro, como mortes e até batidas de carro.


O vídeo acima é da versão para PC, com gráficos melhores, áreas extendidas e algumas adições.

Mesmo que a série tenha ganhado fama somente a partir de GTA 3, as maiores mudanças que ocorreram quando houve a passagem para outra geração tiveram caráter tecnológico. Os elementos introduzidos no primeiro jogo da série e ampliados em GTA 2 foram preservados e tornaram o título um sucesso por oferecer um tipo de jogo que ultrapassa a barreira de uma história fixa e o único objetivo de chegar ao final.

Ficha técnica

Grand Theft Auto 2
Plataforma: Playstation
Produtora: Rockstar Games
Gênero: Ação:
Ano: 1999

Playstation

O Playstation foi lançado em 1994 e marcou a entrada da Sony no mercado dos consoles domésticos. O console, aliás, estrou com tudo e fez a fabricante japonesa assumir logo de cara a liderança da geração, graças às grandes séries que recebeu e à mídia que utilizava, o CD, superando assim o console da rival Nintendo, até então inabalável no topo das vendas mundiais com as plataformas anteriores. Este será o espaço do console de 32 bits, onde relembraremos seus grandes jogos e momentos.