Trilhas Sonoras – Tema de abertura de The Secret of Monkey Island

Exclusivos dos computadores, os jogos de aventura no estilo point’n’click ganharam títulos memoráveis, e um deles é The Secret of Monkey Island. A história cheia de mistérios envolvendo piratas criada pela Lucasfilm Games, o braço de jogos eletrônicos de George Lucas, contra com músicas que dão o clima perfeito para a aventura, como o tema de abertura que ouvimos agora. Toda a trilha sonora do jogo é resultado do trabalho de um time formado por Michael Land, Barney Jones, Andy Newell e Patrick Mundy. Baixe a música clicando aqui.

Abertura de The Secret of Monkey Island by jvccarioca

Relembre os clássicos no Baú do Videogame! Comente e dê sugestões de músicas que marcaram a história dos videogames!

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Michael Jackson’s Moonwalker (Mega Drive)

moon boxshot

Qualquer produto associado a uma celebridade é quase sempre um sucesso. Os recentes Rock Bands e Guitar Heroes têm provado que o nome de bandas no título do jogo garantem um grande número de vendas com games estrelando os Beatles, Aerosmith, ACDC. Todos nomes de peso, que venderam milhões de cópias tanto nos jogos eletrônicos quanto na música. E apesar de longe da realidade dos simuladores de música, o maior nome da música pop mundial, Michael Jackson, responsável pelo disco que mais vendeu cópias na história, também fez sucesso nos videogames.

Michael Jackson’s Moonwalker, de 1990, é inspirado no filme de mesmo nome, rodado em 1988, um jogo de aventura/plataforma com o cantor como personagem. A primeira versão do game foi lançada para Master System um ano antes, mas foi no Mega Drive que ganhou mais consistência e passou a reproduzir com mais fidelidade as performances de Michael Jackson. A obra cinematográfica reunia partes dos clipes do astro e funcionou como um artifício de divulgação de seu trabalho, uma tentativa de prosseguir com o sucesso alcançado com o álbum Thriller em 1987. O jogo, apesar de encarado apenas como uma transposição do cinema para os jogos eletrônicos, teve o mesmo objetivo, já que em 1990, a popularidade do astro começava a cair.

O jogo estava longe de ser uma obra-prima. Era repetitivo, não trazia nada de novo e era relativamente fácil, sem oferecer nenhum grande desafio. Consistia em salvar crianças escondidas, derrotar os inimigos e no final enfrentar uma série especial de adversários para passar de fase. Mas a parte legal era exatamente o que Michael fazia para tirar os inimigos da jogada. Ele dançava.

montagem moonOs produtores da Sega conseguiram dar vida ao astro no Mega Drive. Todos os movimentos característicos que Michael fazia em suas performances, a roupa que usou no filme e até seus gritos foram transportados com perfeição para a tela. Até coreografias inteiras eram executadas quando o ataque especial era ativado, e os passos são reproduzidos em sequência perfeitamente – inclusive o moonwalk.

A dança, claro, era acompanhado pelos hits do astro. Michael Jackson’s Moonwalker já começa com o sucesso Smooth Criminal na primeira sequência de fases, e a música da segunda série é a não menos conhecida Beat It. Another Part of Me, Bad, Billy Jean e Thriller são outras canções que fizeram do jogo do astro pop uma das melhores adaptações do cinema para os videogames. Mesmo em formato digitalizado, as músicas de Michael Jackson eram perfeitamente reconhecíveis e empolgavam junto de sua coreografia característica.

Michael Jackson’s Moonwalker também ganhou uma versão bastante aplaudida para arcade, mais complexa, com movimentação 3D, perspectiva aérea isométrica e outras melhorias. No PC, a versão era bem parecida com a dos consoles domésticos, mas ainda assim era inferior e guardava algumas diferenças. Outras plataformas receberam o título e, mesmo com tantas diferenças, o que interessava no jogo mesmo era ver Michael Jackson fazer os inimigos danças ao som de seus hits. Tudo quase tão igual ao ídolo, quase tão perfeito, que, assim como no clipe, até os zumbis dançam Thriller na fase do cemitério.

Ficha técnica – Michael Jackson’s Moonwalker
Plataforma: Mega Drive
Produtora: Sega
Gênero: Aventura/Plataforma
Ano: 1990

Pitfall! (Atari)

“Permitam-me apresentar.  Sou Pitfall Harry, veterano explorador da selva. Caçar tesouros é o meu jogo, e o seu também, se for ousado o bastante para entrar nessa viagem. Não fique com medo, serei seu guia pela selva, e eu sou um dos melhores. Riquezas desconhecidas estão nos esperando lá, mas também há coisas muito mais perigosas. Nós vamos nos balançar em cipós sobre buracos sem fim, vamos pular sobre brejos pisando em crocodilos como se fossem pedras, vamos procurar em cavernas onde vivem escorpiões assassinos. Então prepare sua mochila e me encontre na selva – e partiremos para conseguir as riquezes em ouro de um rei, diamantes e tesouros perdidos – em Pitfall Harry’s Jungle Adventure.”

O texto na parte de trás da caixa original de Pitfall! é o bastante para definir o que é esse clássico do Atari. Ao lado de Pac-Man, River Raid e Enduro (os dois últimos também da Activision),  Pitfall! faz parte do grupo de títulos que construíram a história do console. A viagem de Harry Pitfall à selva ainda é a precursora do gênero aventura, mesmo que seu principal objetivo, assim como todos os jogos do Atari, não era chegar ao final do jogo, mas sim marcar o maior número de pontos.

Tudo em Pitfall! é clássico e simples, como exatamente como o Atari nasceu para ser: os gráficos – um dos melhores do console -, os efeitos sonoros, a história da busca pelos tesouros, os inimigos e armadilhas clichês. Pitfall! é quase um fenômeno cult da cultura dos games.

Pitfall! é o esboço do que viriam a ser os sidescrollers (jogos como Super Mario Bros., lineares, no quais a tela se movimenta junto com o personagem). Mas em vez de o cenário rolar, tudo fica estático, e apenas Harry se move. Ao atravessar completamente a tela, uma outra surge, indicando que ele chegou a outra área, exatamente da forma como viria a ser The Legend of Zelda, do NES, cinco anos depois.

E como todo bom jogo do vovô dos consoles, o objetivo é marcar o maior número de pontos em menos tempo, sem registrar recorde, só por pura diversão.Mas engana-se quem acha que é uma tarefa simples por se tratar de um jogo no qual tudo o que deve ser feito para escapar dos perigos é pular. São 256 telas que guardam 32 tesouros, o que faz de Pitfall! praticamente um labirinto horizontal. Tudo somado a um limite de tempo de 20 minutos e apenas três vidas.

E embora não houvesse outro objetivo se não o de marcar pontos, era praticamente impossível sobreviver todos os 20 minutos. Os troncos de árvore rolando eram simples de desviar, mas os buracos que abrem e fecham em um espaço de três segundos e as séries de três jacarés que eram usados como plataformas nas travessias dos lagos eram os principais motivos de perdas de vida no jogo. Sem esquecer dos escorpiões do subsolo – o pulo devia ser perfeito para que fossem superados.

O Pitfall! original ganhou uma continuação para Atari em 1984, quando a indústria já estava mergulhada na crise, e por isso a sequência ficou pouco conhecida. O clássico só voltou a ser retomado em 1994, quando o Super NES e o Mega Drive ganharam Pitfall: The Mayan Adventure (vídeo abaixo), um ótimo jogo posteriormente lançado também para PC, Sega CD, Gameboy Advance e outros consoles. O Playstation recebeu a passagem para o 3D da franquia com Pitfall 3D: Beyond the Jungle, jogo de pouco sucesso que também ganhou versão adaptada para o Gameboy Color. Em 2004 foi lançado o último título da série, Pitfall: The Lost Expedition, para Xbox, Playstation 2 e Gamecube. O original, porém, pode ser jogado na internet (clique aqui para jogar), pelo bem da preservação dos clássicos.


Vídeo de Pitfall: The Mayan Adventure

Ficha técnica – Pitfall
Plataforma: Atari 2600/Atari 5200
Gênero: Aventura
Produtora: Activision
Ano: 1982

Kirby’s Adventure (NES)

Kirby's Adventure Boxshot

No ocidente, Kirby divide espaço com figurões como Donkey Kong, Mario e Link por ser um submascote da Nintendo, mas é no Japão que a bolota rosa faz sucesso, até por sua aparência de anime. Dados geográficos à parte, o personagem – que alguns dizem ser macho e outros fêmea – estreou no Gameboy em 1992 com Kirby’s Dream Land, mas foi com Kirby’s Adventure, para NES, de 1993, que se consolidou como uma marca da produtora japonesa por meio de um jogo comum, igual a todos os outros, mas ao mesmo tempo diferente e inovador.

Como um título tradicional de plataforma e aventura, Kirby’s Adventure segue os mesmos padrões de qualquer outro jogo do gênero – fases curtas no modo side-scrolling, inimigos pelo caminho até chegar à última etapa de determinada série, onde se enfrenta o chefe. Até então, tudo normal, mas as diferenças começam na forma de enfrentar os inimigos. Enquanto nos games referência do gênero – Mario e Sonic, por exemplo – os adversários são eliminados quando o personagem pula em cima deles, Kirby os derrota usando sua principal habilidade, a de sugá-los.

Não apenas os engole, Kirby também copia seus poderes, o que faz de Kirby’s Adventure um jogo mutante, no qual o jogador “escolhe” a habilidade especial do personagem. Pode ser uma rajada de fogo, um raio laser, uma espada, se tranformar em um tornado ou em uma pedra, tudo dependendo do inimigo absorvido. Logo, com 24 habilidades diferentes, pode ser um jogo de tiro, ou um jogo de ação, de acordo com a preferência de quem estiver jogando.Kirby's Adventure Screenshot

Um personagem que pode adquirir várias habilidades soa muito bem, e a Sega, então maior rival da Nintendo, fez questão de criar o seu “mutante”. Kid Chameleon, um dos melhores título para o Mega Drive, também tinha seu principal atrativo na mudança de poderes, mas em vez de algo parecido com um marshmallow rosa, foi adotado um garoto. Kirby e Kid Chameleon guardam muitas semelhanças, e ambos podem ser baixados pelo Virtual Console do Wii.

Por ter sido criado no fim da geração do NES, o título tem uma qualidade gráfica e sonora muito acima da média para o console. O que mais chama a atenção, entretanto, é a quantidade de movimentos avançados que deixam o jogo mais completo e versátil. Além das movimentações básicas, há comandos de execução de técnicas especiais pouco comuns nos games da geração. Os controles, aliás, são uns dos mais sólidos do primeiro console da Nintendo.

Após os jogos de aventura, Kirby ganhou alguns títulos de puzzle como Kirby’s Avalanche e passou a figurar nos Super Smash Bros. – game de luta que reúne os personagens “nintendistas” – como personagem selecionável. Em Kirby 64: The Crystal Shards, a bolota rosa podia misturar os poderes, algo até então inédito em sua série. Atualmente há jogo para o Nintendo DS e um em projeto para Wii, mas nem mesmo os japoneses têm data marcada para seu lançamento.

Ficha técnica – Kirby’s Adventure
Plataforma: NES
Gênero: aventura/plataforma
Produtora: Hal Laboratories/Nintendo
Ano: 1992