Jogando com a História em ‘tempo real’ – Age of Empires (PC)

Age of Empires não foi primeiro jogo de estratégia em tempo real, mas foi um divisor de águas para o gênero. O nível de complexidade para a evolução do jogo introduzido pela Ensemble Studios no título estabeleceu parâmetros. Se algumas franquias de estratégia são altamente aclamadas, muito disso se deve a este game para PCs lançado em 1997.

Em resumo, o objetivo do jogador em Age of Empires é fazer sua civilização vencer as outras, seja por meios econômicos ou militares, dependendo do modo de jogo. À disposição, três civilizações asiáticas, babilônicas, egípcias e gregas, cada qual com suas particularidades. Uma vez iniciada a partida, o jogador age como o comandante de seu povo, comandando unidades e administrando seus bens para prosperar e conquistar o objetivo.

Na mecânica, Age of Empires apenas aproveitou o que os jogos de estratégia haviam oferecido – a visão  aérea isométrica, necessária para saber o que está acontecendo com suas unidades, e a operação de comandos pelos cliques do mouse ou por atalhos no teclado, dois fatores presentes já em clássicos como SimCity, lançado quase dez anos antes. A inovação estava no modo como o jogo se desenvolve. O jogador precisa operar uma série de unidades, administrar diversos pontos de sua civilização para fazê-la evoluir, enriquecer, atacar e se defender e se fortalecer.

O desafio era tomar conta da exploração de recursos, administrá-los e criar unidades de ataque de forma equilibrada. Toda unidade  e construção criadas custam recursos – comida, pedra, ouro e madeira -, bem como as pesquisas e tecnologias, que são melhorias para a civilização. Se há escassez de recursos, é impossível criar mais soldados ou aldeões, e então não seria possível conquistar territórios ou angariar mais matéria prima. Tudo isso ainda defendendo sua própria cidade dos bárbaros inimigos, ou seja, Age of Empires demanda diversos focos de atenção simultâneos do jogador – por isso é classificado como um jogo de estratégia “em tempo real”. Para vencer, o equilíbrio era fundamental entre a economia e o militarismo, e assim o título misturava as prioridades administrativas de SimCity com a estratégia de guerra de Command and Conquer.

A parte histórica também é um dos trunfos de Age of Empires. O modo campanha remonta a trajetória de algumas civilizações da antiguidade, e mesmo não tendo todas as referências históricas corretas, dá conta do recado no que diz respeito a explicar os eventos pelos quais os povos passaram. A relação do título com a História também se dava na evolução das civlizações, que passavam da Idade da Pedra para a Idade da Ferramenta, seguiam para a Idade do Bronze e concluíam seu desenvolvimento na Idade do Ferro.

Introdução de Age of Empires

Age of Empires deu início a uma série que ganhou mais dois títulos para PC. A segunda edição, de 2001, se passava na Idade Média e só acrescentou ao primeiro jogo. A terceira edição foi lançada em 2005 após muita espera e continuou com as melhorias do jogo, remontando dessa vez a era do imperialismo. Todos os três Age of Empires receberam pacotes de expansão algum tempo depois do lançamento oficial. A franquia ainda inspirou Age of Mythology, também da Ensemble Studios, que misturava História e Mitologia, e ganhou um  Age of Empires II para Playstation 2 e outra versão para Nintendo DS.

Ficha Técnica: Age of Empires
Plataforma: PC
Produtora: Ensemble Studios
Publicadora: Microsoft Games Studios
Gênero: Estratégia
Ano: 1997

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Worms (PC)

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Se houvesse uma lista dos jogos mais insanos da história, Worms provavelmente estaria nas primeiras posições. A pessoa que imaginou minhocas guerreando com bazucas, granadas e ovelhas explosivas provavelmente é das mais sãs. Felizmente, a idéia da Team 17 rendeu um dos jogos mais divertidos e inovadores de todos os tempos, um clássico cultuado até hoje e em constante processo de renovação, um game que não será deixado de lado por muito tempo.

Worms – ‘minhocas’, no português – consiste em dois exércitos de vermes que dispõem de um arsenal de fazer inveja ao Rambo com o objetivo matar uns aos outros por pura e simples diversão. Violência desenfreada, gratuita e cartunesca entre minhocas. O que mais os jogadores poderiam pedir?

O jogo é definido pelo gênero ‘estratégia’, já que o jogador tem que planejar o ataque, escolher a arma, mirar cuidadosamente, atirar e correr para o mais longe possível. Após tudo isso, resta torcer para que a pontaria do inimigo não seja das melhores, pois o jogo funciona no sistema de turnos, ao estilo RPG. Enquanto um ataca, o outro aguarda – e reza – por sua vez. Essa mecânica apareceu pela primeira vez em Gorilla Bass, um game bem primitivo para PC, no qual dois macacos atiravam bananas um no outro apenas calculando a força e o ângulo do arremesso. Mas em Worms, as minhocas caminham, pulam e fazem de tudo para literalmente explodir o adversário.


O vídeo é da versão para Super NES, mas é muito próxima das versões para PC e Mega Drive

O arsenal é um atrativo a parte. Com 15 armas e 7 equipamentos, não há quem resista a uma guerra de minhocas. Mísseis teleguiados, ataques aéreos, dinamites e até uma ovelha são os responáveis pelo grande número de óbitos do jogo. Mas se defender também é preciso e, como uma boa minhoca, é possível ir para debaixo da terra com furadeiras, cordas ninja e teletransporte. Isso sem falar na técnica kamikaze, que sacrifica um de seus soldados, mas dá a satisfação de, muito provavelmente, levar um inimigo junto.

worms_screen002Conforme o terreno é atingido pelas explosões, vai sendo desgastado. Isso altera drasticamente a estratégia do jogo e, se usado com inteligência, pode ser mortal. Tudo, aliás, faz parte do planejamento: o tipo de arma a ser usado, qual minhoca adversária será atingida, a velocidade do vento, onde o adversário pode ir para após ser atingida. O grande atrativo de Worms não é a ação, e sim o fato de estimular a inteligência do jogador, que deve pensar em todos os aspectos do jogo antes de qualquer movimento.

A primeira edição de Worms foi lançada inicialmente para o Amiga, um console doméstico pouco conhecido, mas ganhou versões para PC, Mega Drive, Super NES e outras plataformas. Posteriormente, a série ganhou vários outros títulos – Worms World Party, Worms Armageddon, Worms Blast e vários outros – todos com melhorias nos modos de jogo, no arsenal, na mecânica, nos gráficos, enfim, em todos os aspectos. As versões posteriores dão suporte para mais de dois jogadores e até partidas online, o que torna tudo mais divertido. As minhoquinhas merecem lugar de destaque nos games por adaptar a temática da guerra a um jogo carismático, divertidíssimo e absolutamente non-sense.