Comix Zone (Mega Drive)

Os quadrinhos fazem parte da história dos videogames desde seu início. Superheróis conhecidos ou não ganharam jogos de vários gêneros em praticamente todos os consoles lançados no mercado, fossem os títulos bons ou ruins (veja os melhores jogos de superheróis do Super NES no arquivo do Baú do Videogame). Comix Zone, porém, abordou a relação entre os jogos eletrônicos e as HQ no Mega Drive de um modo diferente, e praticamente criou um história interativa dentro do console.

Lançado pela Sega já no fim da vida útil do Mega Drive, em 1995, Comix Zone não estrelava nenhum herói da Marvel ou da DC Comics ou qualquer ser com superpoderes. O protagonista era o desenhista Sketch Turner, que acaba indo parar dentro de suas próprias histórias em quadrinhos e deve lutar contra os monstros que o vilão Mortus desenha instantaneamente. A ação se passava nas páginas do gibi, e Turner ia de quadro em quadro, e às vezes rompendo as fronteiras entre eles, batendo e explodindo os inimigos.

Atentendo à proposta do jogo, os gráficos eram próximos dos quadrinhos, com sombramento e muitos detalhes. Tudo, aliás, remete às HQs – os personagens falam por meio de balõezinhos, “pows”, “bams” e “wacks” aparecem quando se acerta um golpe e até a narração se dá por meio de mensagens nos cantos dos quadros onde Turner está. Além do esmero dos produtores, o que explica essa proximidade de Comix Zone com os gibis é que toda a parte gráfica foi produzida por quadrinistas profissionais. Os efeitos sonoros também impressionam, mas a música não explora toda a capacidade do console da Sega.

A complexidade dos combates também foi algo que chamou bastante atenção. Na maioria dos jogos de ação do gênero e nos beat’em ups, bastava apertar o botão de ataque para executar os combos, que geralmente também não variavam muito. Mas em Comix Zone,  os golpes podiam ser direcionados para cima e para baixo, havia movimentos especiais de ataque e esquiva e até bloqueio, fazendo com que o jogador não atacasse sem parar e tivesse de planejar seus movimentos. Era possível até arrancar um pedaço do cenário, fazer um avião de papel e atirar nos adversários!

 

Desenho da primeira fase de Comix Zone, como uma página de gibi

Além de ter chegado ao mercado bastante tarde, Comix Zone era extremamente curto e difícil, o que colaborou para que não fosse sempre lembrado entre os melhores do Mega Drive. Apenas seis “páginas” do gibi eram percorridas pelo jogador, ou seja, duas fases de cada um dos três capítulos. E mesmo sem ser muito longo, mostrava-se um verdadeiro desafio para quem quisesse chegar ao final, o que só piorava com o fato de não haver vidas ou continues – o jogador tinha só uma chance de recomeçar o capítulo em que estava.

Apesar dessas pequenas falhas, Comix Zone é sem dúvida um dos títulos mais criativos já vistos. A mecânica em si não traz nada de inovador, visto que é apenas um jogo de ação de bastante complexidade nos combates, mas a ideia de fazer tudo como se fosse uma HQ deu o ar inovador do título. Além do Mega Drive, Comix Zone chegou ao PC e ao Gameboy Advance com pequenas alterações gráficas, mas com o mesmo modelo de jogo. O título pode atualmente ser baixado nas redes dos consoles Xbox 360 e Wii.

Ficha técnica: Comix Zone
Plataforma: Mega Drive
Produtora: Sega
Gênero: Ação
Ano: 1995

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Os Cavaleiros do Zodíaco nos videogames

Os Cavaleiros do Zodíaco marcaram a geração nascida no final da década de 80. Proveniente do mangá  criado por Masami Kurumada de mesmo nome (chamado Saint Seiya no Oriente e nos EUA), o anime rapidamente virou febre entre os garotos, que corriam para a sintonizar a televisão no canal Manchete durante as tardes. Bonecos, material escolar, lancheiras e centenas de outros produtos carregando as imagens dos Cavaleiros chegaram ao mercado.

Tratando-se de garotos com armaduras protegidas por constelações que se envolviam em combates extremos, Cavaleiros do Zodíaco tinha um enorme potencial para ser transformado em um jogo de sucesso, principalmente pela popularidade que atingiu no Brasil e no Japão. Mas o sucesso dos Cavaleiros na televisão não foi o mesmo dentros dos games. Os poucos títulos lançados pela Bandai – hoje Namco – foram RPGs para NES e Gameboy, no início dos anos 90. Os guerreiros estelares só foram retomados em 2005, quando ganharam um verdadeiro jogo de luta para Playstation 2 que pouco agradou. O Baú do Videogame faz uma breve retrospectiva de cada um dos títulos lançados com base no mangá e no anime dos Cavaleiros do Zodíaco.

Saint Seiya: Ougon Densetsu (NES – Bandai/1987) – O primeiro jogo dos Cavaleiros do Zodíaco lançado foi para o NES, então o grande campeão do mercado na época. O único cavaleiro controlável no jogo era Seiya de Pégaso. O estile era um RPG básico, por rodadas, com poucas opções entre os ataques. Ainda assim, tentava percorrer os mesmo eventos dos mangás – desde o momento em que Seiya conquista sua armadura, passando pela Guerra Galática e pela batalha contra os Cavaleiros Negros até chegar ao Santuário, mas apenas cinco Cavaleiros de Ouro podiam ser enfrentados. Todos os Cavaleiros de Prata, entretanto, foram reproduzidos no jogo. Apesar do nome completamente japonês, na Europa foi lançado como apenas Saint Seiya.

Saint Seiya: Ougon Densetsu Kanketsu Hen (NES – Konami/1988) – Feito nos mesmos moldes de seu antecessor, mas desta vez tratando da Batalha das 12 Casas do Zodíaco, ou seja, contava com a aparição dos Cavaleiros de Ouro. Também funcionava como um turn-based simples, com poucas opções, mas bastante fiel à saga. Por exemplo, o Cavaleiro de Dragão só pode usar o golpe Excalibur na após a casa de Capricórnio e o Cavaleiro de Fênix só pode lutar na casa de Virgem e contra o Mestre do Santuário, exatamente como ocorre no anime. Não foi lançado na Europa como o antecessor, mas ficou conhecido como Saint Seiya 2.

Saint Paradise (Gameboy – Bandai/1992) – Entre os RPGs, a versão para o Gameboy foi a mais complexa em termos de jogabilidade e adequação à série. Dessa vez, o jogo contemplava toda a saga do Santuário e até a saga de Poseidon, cronologicamente a segunda nos mangás e animes, e em vez de apenas um cavaleiro lutando por vez, o jogador tinha quatro Cavaleiros de Bronze – Andrômeda, Pégaso, Cisne e Dragão – em sua equipe, embora algumas lutas ainda acontecessem individualmente. O jogo foi lançado apenas no Japão, portanto não havia versões em inglês ou francês.

Saint Seiya Ougon Densetsuhen Perfect Edition (Wonderswan Color – Bandai/2003) – O mais desconhecido dos já desconhecidos jogos baseados no mangá. Não é para menos, já que foi lançado apenas no Japão e para o Wonderswan Color, console portátil da Bandai, que nem mesmo no Oriente fez muito sucesso. O jogo é basicamente um remake unificado das duas edições de Saint Seiya para o NES, mas teve algumas modificações e melhorias, principalmente na parte gráfica. Há pouca informação disponível sobre o título, mas os fãs o consideram o melhor RPG de toda a série envolvendo os Cavaleiros. Foi também o último jogo lançado cuja produção esteve nas mãos da Bandai.

Saint Seiya: The Sanctuary (PS2 – Dimps Corp./2005) – Mais de dez anos haviam se passado desde o lançamento do último Saint Seiya nos principais consoles quando o Playstation 2 retomou os guerreiros do zodíaco trazendo exatamente o que os fãs desejaram por anos – um jogo de luta com a possibilidade de controlar seu Cavaleiro favorito e colocá-lo para brigar com qualquer outro. Foi a primeira vez que o anime se tornou um jogo de luta, deixando de lado todo o legado de RPG construído até então. Os combates, embora sem toda a dramatização do desenho animado, ficaram bastante fiéis, assim como as animações quando os golpes eram executados. O sistema criado para fazer o cosmo dos Cavaleiros ficar mais intenso cada vez que o jogador tinha menos vida foi uma boa forma de adaptar esse aspecto do mangá. Como o nome diz, Saint Seiya: The Sanctuary era um jogo sobre a Batalha das 12 Casas, e obviamente os Cavaleiros de Ouro podiam ser escolhidos nos modos de combate livre.

Saint Seiya: The Hades (PS2 – Dimps Corp./2006) – Continuação de Saint Seiya: The Sanctuary, o último título lançado sobre os Cavaleiros do Zodíaco era exatamente igual ao seu antecessor, com a exceção de que desta vez o foco se tornou a primeira parte da Saga de Hades, que se passa ainda no Santuário. Assim como na primeira edição para o Playstation 2, o modo história seguia a trama do mangá, colocando os guerreiros frente a frente de acordo com o que foi publicado na obra de Kurumada. Personagens e modos secretos fizeram parte da gama de inovações em relação ao jogo anterior, bem como melhorias gráficas e nos controles e na jogabilidade, um pouco lenta em The Sanctuary. É o mais recente título dos Cavaleiros e continuou a tradição de não ter sido lançado oficialmente nos EUA.

Agora, uma dose extra de nostalgia, com as aberturas do anime quando este era exibido pela Manchete.

1ª Abertura

2ª Abertura

Mike Tyson’s Punch-Out!! (NES)

O boxeador americano Mike Tyson sempre foi considerado o melhor da sua época e um dos grandes lutadores de todos os tempos. Venceu ingleses, africanos, jamaicanos, arrancou um pedaço da orelha de Evander Holyfield. Aos 20 anos, tornou-se campeão mundial e saiu vitorioso em todos os seus primeiros 37 combates no circuito profissional, o que lhe rendeu apelidos como Iron Mike (Mike de Ferro) e Dynamyte Kid (Garoto Dinamite).

Tyson era o ícone máximo do boxe, e a Nintendo colocou o lutador frente a frente com os donos de NES em 1987 com Mike Tyson’s Punch-Out!!, reeditando o título de arcade 1984 com o então imbatível jovem dos ringues.

No papel de Little Mac, um garoto de 17 anos do Bronx cujo peso é inferior a 50 kg, o jogador enfrenta os mais bizarros e monstruosos lutadores até chegar ao desafio dos sonhos – o combate com Tyson pelo título mundial de boxe. Combate que, na esmagadora maioria das vezes, foi vencido pelo Garoto Dinamite.

Aprender a jogar Mike Tyson’s Punch-Out!! era fácil. O problema era se tornar hábil o bastante para chegar à luta final. O limitado controle do NES era o bastante para fazer do título um dos mais divertidos do console. Os botões A e B representavam os golpes dos lados esquerdo e direito respectivamente e o direcional era responsável pela esquiva e por direcionar os socos ao rosto do oponente, enquanto o Start ativava o ataque especial.

Tudo o que era preciso para levar o adversário à lona era desviar e atacar. Mas isso deveria ser feito em um ‘timing’ tão perfeito que os mínimos atrasos poderiam render a perda de metade da barra de vida. Os espaços de tempo para encaixar bons golpes eram bastante curtos, e estudar os oponentes era fundamental. Não bastava bater e bater sem parar, como funcionava em alguns jogos de luta. Era preciso estratégia, e esse era o grande desafio de Mike Tyson’s Punch-Out!!.

Comercial de ‘Mike Tyson’s Punch-Out!!’

Os adversários faziam as vezes do humor do jogo. Preenchendo estereótipos de várias nações – afinal, era o circuito mundial – havia um alemão, um russo, um japonês, um espanhol, todos desenhados de forma caricata. Isso sem contar os mais bizarros, como King Hippo, cujas calças caíam quando recebia um soco na barriga, e o hilário Super Macho Man, cujo nome já diz tudo – era como o Mister Universo.

Além desses adversários, vale lembrar o treinador de Little Mac, Doc Lewis, como um dos mais característicos do título. O juiz dos combates já era um velho conhecido dos jogadores – ninguém menos que o bigodudo Mario. E o último oponente, claro, Mike Tyson, reproduzido perfeitamente nos pixels do NES (imagem ao lado). Tyson, aliás, foi removido do jogo quando houve um relançamento, em 1990. O contrato de uso de direitos lutador com a Nintendo havia acabado e ele acabnou substituído pelo fictício Mr. Dream.

Além da versão para arcade (bastante diferente, vale conferir), a série Punch-Out!! manteve a maior parte de seus elementos – da mecânica aos personagens – até atualmente.  Chegou ao Super NES em 1994 com Super Punch-Out!! e recentemente ao Wii, com o nome de apenas Punch-Out!! e utilizando os sensores de movimento dos controles nas lutas.

Ficha técnica – Mike Tyson’s Punch-Out!!
Plataforma: NES
Produtora: Nintendo
Gênero:  Luta
Ano: 1987

Trilhas Sonoras – Ryu Stage – Street Fighter II

Todas as músicas de Street Fighter II são memoráveis. O tremendo sucesso que a principal franquia da Capcom fez eternizou seus personagens e, consequentemente, o tema da arena de cada um. Uma das mais marcantes é a de Ryu, o mais icônico lutador da série, que você relembra aqui no Baú do Videogame e faz o download clicando aqui.

Ryu Stage – Street Fighter II by jvccarioca

Os primeiros hadoukens – Street Fighter (Arcade)

Qualquer pessoa que tenha tido um mínimo contato com videogames sabe o que é Street Fighter. O jogo que revolucionou o gênero de luta e instituiu os principais parâmetros de como um bom título deve ser feito é um dos mais clássicos e famosos jogos eletrônicos já criados. A franquia, que rendeu bilhões à Capcom, entretanto, ficou famosa a partir de Street Fighter II: The World Warrior. O leitor conhecerá agora verdadeiro primeiro Street Fighter, quando ‘hadoukens’ e ‘shoryukens’ eram chamados de ‘fireball’ e ‘dragon punch’.

São poucas as pessoas que puderam jogar o Street Fighter original, lançado somente para arcade e outros consoles menos expressivos. Na confusa linha cronológica da franquia, a edição corresponde ao primeiro torneio, antes mesmo da série Alpha/Zero, mas já deu as primeiras diretrizes que os jogos posteriores mantiveram como marca registrada.

Os únicos personagens jogáveis eram Ryu e Ken, a eterna dupla da série, sendo o japonês correspondente ao primeiro controle e o americano correspondente ao segundo. O jogador deveria entrentar dois adversários em cada um dos quatro países disponíveis para enfrentar os campeões do torneio e entre alguns destes estavam lutadores que permaneceram nos Street Fighter posteriores. No Reino Unido, os adversários eram Eagle e Birdie (dá série Alpha); no Japão, eram Geki e Retsu; nos EUA, eram Joe e Mike (cujos rumores dizem ser os dois brigões da abertura de Street Fighter II: The World Warrior para arcade); e na China eram Lee e Gen (também da série Alpha). Os campeões, ambos da Tailândia e considerados os chefes do jogo, eram Adon (da série Alpha) e o famigerado Sagat.

As três famosas técnicas – ‘hadouken’, ‘shoryouken’ e ‘tatsumaki senpukyaku’, ou “giratória” – já estavam presentes no jogo. Mas relatos sobre os controles de Street Fighter geralmente não são positivos. Os poucos que tiveram a oportunidade de jogar dizem que era quase impossível soltar um ‘hadouken’ mesmo que o comando fosse executado perfeitamente. Outro ponto que chamava a atenção era a potência desses movimentos dificílimos de serem aplicados, que tiravam um quarto ou até mesmo metade da barra de energia do adversário.

Outro aspecto que começou no primeiro Street Fighter e manteve-se nos demais jogos foram as frases de vitória e derrota. A partir de Street Fighter II, cada personagem passou a ter sua própria provocação quando vencia o adversário, mas no primeiro jogo havia apenas uma frase para a vitória e outra para a derrota. Em inglês, elas são, respectivamente: “What Strength!!  But don’t forget there are many guys like you all over the world” e  “You’ve got a lot to learn  before you beat me.  Try again, kiddo!!”, ambas ditas em uma voz digitalizada difícil de compreender.

Os tradicionais bônus também tiveram início na primeira edição da franquia. No primeiro deles, o lutador devia querbrar o maior número de tijolos ao pressionar o botão de soco quando o medidor estivesse completo (bastante semelhante ao bônus posteriormente utilizado em Art of Fighting). No segundo, era preciso quebrar as placas que alguns caratecas seguravam em um dojo.

Graças aos emuladores, Street Fighter pôde ser eternizado e não caiu no esquecimento, mesmo porque todos os outros ótimos títulos (com exceção de séries como a EX) levam a fama  da franquia. O Playstation 2 e o Xbox contam com uma conversão do jogo em sua coletânea Capcom Classics Collection Vol. 2. Para quem não é dono de nenhum destes consoles, o único jeito de conferir essa relíquia é por meio de um emulador de Mame e de uma rom encontrada neste link, umas das poucas disponíveis na internet. Vale mais pelo valor histórico, mas quem é fã de jogos de luta definitivamente chegará às raízes do gênero com esse jogo.

Ficha técnica – Street Fighter
Plataforma: Arcade
Produtora: Capcom
Gênero: Luta
Ano: 1987

Virtua Fighter (Sega Saturn)

Se Tekken, Soul Calibur e os grandes títulos de luta chegaram ao patamar em que estão atualmente, muito se deve a Virtua Fighter. O jogo de 1993 da Sega foi o responsável por fazer a passagem do gênero das duas para as três dimensões e, para uma primeira experiência, pode ser considerado um sucesso.

Assim como todos os primeiros jogos em 3D, Virtua Fighter tinha os gráficos bastante “quadrados” – os polígonos usados na construção gráfica ficavam sobressalentes devido à baixa capacidade de processamento dos consoles da época. A proposta era aproximar ao máximo os personagens de pessoas reais, embora os movimentos dos lutadores faziam com que parecessem bonecos de teste de colisão.

O costume com a jogabilidade dos jogos 2D fez a adaptação a Virtua Fighter ser difícil. Apesar de ter comandos bastante simples para a execução dos golpes – havia apenas um botão para soco, um para chute e um para bloqueio -, tudo era muito mais lento. Por ser a primeira experiência na luta em 3D, era difícil se acostumar com o “timing” e com a mecânica dos combates.

Virtua Fighter introduziu o conceito da “gaiola” nos jogos de luta, o que significa que os combates não se davam em um cenário linear, onde só era possível ir para dois lados e pular. Todo o ringue era utilizado, ou seja, não apenas os gráficos tinham três dimensões, mas toda a mecânica. A câmera mostrava sempre um lutador de frente para o outro, como em qualquer jogo de luta, mas os personagens podiam usar a profundidade do cenário.

Outra das particularidades de Virtua Fighter que foi utilizada em outros títulos posteriormente foi o “ring out”, que consistia em derrubar o adversário do ringue, mesmo que sutil e acidentalmente, o que garantia um round para que ficasse em cima da plataforma. A proposta de aproximar o jogo da realidade também eliminou poderes especiais popularizados por Street Fighter e Mortal Kombat e cada lutador representava uma arte marcial diferente, mas, embora tivessem técnicas distintas, todos pareciam ralizar os mesmo movimentos.


Vídeo de Virtua Fighter 5, para Xbox 360 e Playstation

Mesmo com todas as limitações técnicas, Virtua Fighter cumpriu bem o papel de levar o gênero para as três dimensões. Assim como outros jogos que fizeram essa passagem, não atingiu o ápice da série, mas deu um grande e primeiro passo e as sequências de Virtua Fighter – chegou até a quinta edição, além de títulos paralelos – mostraram mais evoluções. O fato é que, além de se tornar um ícone, o jogo teve uma importância ímpar no desenvolvimento de todos os jogos em três dimensões.

Ficha técnica – Virtua Fighter
Plataforma: Sega Saturn
Produtora: Sega
Gênero: Luta
Ano: 1994

Mortal Kombat (Mega Drive)

No início dos anos 90, os jogos de luta eram o carro chefe do mercado. Quando Street Fighter II: The World Warrior chegou aos arcades em 1991 e aos consoles domésticos um ano depois com um sucesso estrondoso, as produtoras concentraram os esforços nos títulos de pancadaria. Entre experiências boas e ruins, foram criados jogos que não caíram nas graças dos jogadores e outros que marcaram época.

Pela qualidade ou pelo apelo à violência, Mortal Kombat marcou o início dos jogos sanguinários como o principal concorrente de Street Fighter II. Lançado pela Acclaim em 1993, o título deu início a uma série que ganha jogos até hoje, embora menos aclamados que nas gerações anteriores, e se tornou um ícone na cultura pop dos videogames – virou filme, desenho animado, inspirou músicas e até foi “clonado” por outros estúdios, assim como o jogo da Capcom.

O estilo introduzido por Mortal Kombat era bem diferente do até então visto nos outros jogos do gênero. A maior diferença eram os gráficos – os personagens eram atores filmados, cuja imagem foi digitalizada e transformada em animação por quadros, o mesmo recurso usado para a programação dos movimentos de Prince of Persia. Os cenários e os próprios personagens fugiam do estilo “desenho animado”, fazendo com que, na época, os gráficos fossem os mais próximos do real possível, dando a sensação das três dimensões.

Com uma história cheia de clichês como pano de fundo – um torneio de “combates mortais” entre o mundo dos humanos e um mundo sobrenatural chamado Outworld – Mortal Kombat tinha sete personagens jogáveis: Rayden, Kano, Sonya (a única mulher do primeiro jogo), Johnny Cage, Liu Kang e os ninjas Subzero e Scorpion, estes que dariam início à produção em série de ninjas utilizados na série. Cada qual com seu motivo, o objetivo desses lutadores era simplesmente derrotar os outros, depois vencer Goro e Shang Tsung, os dois chefes do jogo, e se tornar o grande campeão, diferente de toda aquela história contada no filme que o SBT insiste em reprisar.

Mas o que fez de Mortal Kombat um sucesso não foram as atuações de Christopher Lambert como o deus do trovão e sim a violência, os ossos e o sangue. Afinal, nenhum jogo até então mostrava sangue jorrando toda vez que um gancho era desferido no adversário. Pelo menos não com o “realismo” de Mortal Kombat. E se a violência é o grande atrativo do jogo, o maior crédito por isso vai com louvor para os fatalities, as finalizações especiais que são praticamente o DNA da série. Cabeças e corações arrancados, corpos incendiados e eletrocutados, era disso que o povo gostava e era isso que podia fazer depois de espancar o inimigo e ver um grande “Finish him!” aparecer na tela. Após a execução do comando, então, a animação era ativada e a eliminação sádica do oponente fazia a alegria das massas.


Vídeo com todos os fatalities do jogo

Um ano antes de chegar ao Mega Drive, Mortal Kombat já ganhava espaço nos arcades, e ao mesmo tempo em que foi lançado para o console da Sega, também foi para o Super NES. A diferença é que no Mega Drive foram mantidos os gráficos de sangue, enquanto na plataforma da Nintendo o que  espirrava dos personagens era suor e alguns fatalities, como o de Subzero, foram alterados. O jogo, aliás, foi um dos principais responsáveis pela criação da ESRB (Entertainment Software Rating Board) em 1994, um órgão de classificação etária e censura de jogos casos estes contenham cenas e elementos impróprios para certas idades.

A série continua ainda hoje e, claro, ganhou grandes inovações, novos personagens e toda uma história mais bem elaborada. São cerca de dez títulos – alguns dos quais nem de luta são – distribuídos por mais de 20 consoles. Um título respeitável, criador de parâmetros gráficos e de jogabilidade e merecedor de um lugar entre os mais lembrados.


Trecho do filme Mortal Kombat – O Filme