Tony Hawk’s Pro Skater (Playstation)

THPS boxshot

 A Activision se tornou especialista em publicar  jogos de esportes radicais. Mas antes de lançar seus títulos de surfe, BMX e até wakeboard, acertou em cheio com Tony Hawk’s Pro Skater. Tanto que a série até hoje ganha uma sequência atrás da outra, melhora cada vez mais e não dá sinais de que abandonará seus fãs tão cedo.

A fórmula do sucesso de Tony Hawk’s Pro Skater é complexa, mas três fatores têm um peso significativo em sua popularização. Antes de mais nada, o jogo leva o nome do maior skatista até então, se não o melhor de todos os tempos, e estrelava esportistas reais. Além disso, explorou um esporte pouco recorrente nos jogos eletrônicos e colocou um fim à ausência da modalidade nos games – o último título significativo de skate havia sido Skate or Die, para o NES, lançado em 1988, onze anos antes de Tony Hawk’s Pro Skater. Por fim, praticamente criou um novo subgênero por meio de um jogo divertidíssimo e completamente inovador.


Vídeo da versão do Nintendo 64, praticamente a mesma do Playstation

 Não só o primeiro jogo, mas toda a série Tony Hawk’s não é das mais fáceis de aprender a jogar. Gastam-se horas até realmente pegar o jeito de controlar o skate, principalmente neste jogo de estreia, que consequentemente serviu de escola para as sequências. Parte da dificuladde está no fato de que o jogador deve se preocupar com diversos fatores simultaneamente, como o equilíbrio, a direção, a velocidade e ainda trabalhar sob pressão do tempo – no modo carreira, os objetivos são completados em apenas dois minutos. A perspectiva em terceira pessoa, porém, facilita o controle do skatista, e a câmera funciona de maneira que o jogador possa planejar as próximas manobras. E apesar da dificuldade apresentada para que não estava acostumado com videogames, tratando-se de controles e jogabilidade, Tony Hawk’s Pro Skater já começou próximo da perfeição. Resposta imediata, sensibilidade na medida certa e física próxima do real, embora a programaçãop do jogo não reconhecesse todas as “impossibilidades” que podiam ser realizadas.

THPSA construção das pistas, baseadas em locais reais, também sempre foi um dos pontos fortes da série. Rampas ligando lugares e corrimãos estrategicamente posicionados revelam uma preocupação extra e provavelmente muitas horas de testes para deixar cada fase perfeita. As texturas são muito bem detalhadas e, o mais importante, mesmo com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, a taxa de quadros sempre permanecia estável. O modo multiplayer também recebeu atenção especial, com três modalidades diferentes para disputar com os colegas quem fazia mais pontos – ou caía menos…

A trilha sonora de toda a série Tony Hawk é uma atração à parte. Composições de rap, hiphop, ska, hardcore, rock e suas inúmeras vertentes (punk, hard, folk, etc) dão o tom nos jogos do skatista. E não há como negar que o sucesso de Tony Hawk’s Pro Skater levou à popularização de algumas bandas em particular. Superman, a música do vídeo, é a mais lembrada do jogo, e por conta dela, seus criadores, o grupo americano Goldfinger, ganharam muito mais fãs. Fora os grandes nomes que estrelam os outros jogos da série, como Motorhead, Ramones, Red Hot Chilli Peppers, Rage Against The Machine e vários outros.


Vídeo insano do jogo sendo batido – não 100% – em menos de 7 minutos.

Outra questão extrajogo relativa a Tony Hawk’s Pro Skater é a popularização do skate como esporte, pelo menos no Brasil. Desde o lançamento do jogo, em 1999, o número de praticantes da modalidade subiu significativamente, o que fez com que a Rede Globo passasse a exibir em rede nacional os campeonatos profissionais do país. Soma-se a isso o fato de o Brasil ter skatistas que se destacaram no cenário mundial do esporte, como o próprio Bob Burnquist, presente nos jogos de Tony Hawk, e Sandro Dias.

Tony Hawk’s Pro Skater chegou antes ao Playstation e no ano seguinte foi lançado para Nintendo 64 e Dreamcast. Mais tarde, ainda em 2000, chegou em uma versão diferente para Gameboy Color, visto que essa plataforma não tinha suporte para jogos em três dimensões. A série evoluiu e ganhou novos aspectos – em Tony Hawk’s Underground, o personagem pode andar a pé por curtos períodos – e variações – Tony Hawk’s Downhill Jam é um jogo de corrida, ainda que envolva manobras, mas ainda assim o jogo original é considerado um dos melhores já publicados pela Activision.

Ficha Técnica – Tony Hawk’s Pro Skater
Plataforma: Playstation/Nintendo 64/Dreamcast
Produtores: Neversoft/Activision
Gênero: Esportes
Ano: 1999

Worms (PC)

Worms-win-cover

Se houvesse uma lista dos jogos mais insanos da história, Worms provavelmente estaria nas primeiras posições. A pessoa que imaginou minhocas guerreando com bazucas, granadas e ovelhas explosivas provavelmente é das mais sãs. Felizmente, a idéia da Team 17 rendeu um dos jogos mais divertidos e inovadores de todos os tempos, um clássico cultuado até hoje e em constante processo de renovação, um game que não será deixado de lado por muito tempo.

Worms – ‘minhocas’, no português – consiste em dois exércitos de vermes que dispõem de um arsenal de fazer inveja ao Rambo com o objetivo matar uns aos outros por pura e simples diversão. Violência desenfreada, gratuita e cartunesca entre minhocas. O que mais os jogadores poderiam pedir?

O jogo é definido pelo gênero ‘estratégia’, já que o jogador tem que planejar o ataque, escolher a arma, mirar cuidadosamente, atirar e correr para o mais longe possível. Após tudo isso, resta torcer para que a pontaria do inimigo não seja das melhores, pois o jogo funciona no sistema de turnos, ao estilo RPG. Enquanto um ataca, o outro aguarda – e reza – por sua vez. Essa mecânica apareceu pela primeira vez em Gorilla Bass, um game bem primitivo para PC, no qual dois macacos atiravam bananas um no outro apenas calculando a força e o ângulo do arremesso. Mas em Worms, as minhocas caminham, pulam e fazem de tudo para literalmente explodir o adversário.


O vídeo é da versão para Super NES, mas é muito próxima das versões para PC e Mega Drive

O arsenal é um atrativo a parte. Com 15 armas e 7 equipamentos, não há quem resista a uma guerra de minhocas. Mísseis teleguiados, ataques aéreos, dinamites e até uma ovelha são os responáveis pelo grande número de óbitos do jogo. Mas se defender também é preciso e, como uma boa minhoca, é possível ir para debaixo da terra com furadeiras, cordas ninja e teletransporte. Isso sem falar na técnica kamikaze, que sacrifica um de seus soldados, mas dá a satisfação de, muito provavelmente, levar um inimigo junto.

worms_screen002Conforme o terreno é atingido pelas explosões, vai sendo desgastado. Isso altera drasticamente a estratégia do jogo e, se usado com inteligência, pode ser mortal. Tudo, aliás, faz parte do planejamento: o tipo de arma a ser usado, qual minhoca adversária será atingida, a velocidade do vento, onde o adversário pode ir para após ser atingida. O grande atrativo de Worms não é a ação, e sim o fato de estimular a inteligência do jogador, que deve pensar em todos os aspectos do jogo antes de qualquer movimento.

A primeira edição de Worms foi lançada inicialmente para o Amiga, um console doméstico pouco conhecido, mas ganhou versões para PC, Mega Drive, Super NES e outras plataformas. Posteriormente, a série ganhou vários outros títulos – Worms World Party, Worms Armageddon, Worms Blast e vários outros – todos com melhorias nos modos de jogo, no arsenal, na mecânica, nos gráficos, enfim, em todos os aspectos. As versões posteriores dão suporte para mais de dois jogadores e até partidas online, o que torna tudo mais divertido. As minhoquinhas merecem lugar de destaque nos games por adaptar a temática da guerra a um jogo carismático, divertidíssimo e absolutamente non-sense.