As jóias multiplayer do Nintendo 64

O Nintendo 64 foi o primeiro console lançado com suporte para quatro jogadores simultâneos sem a necessidade de acessórios para plugar mais de dois controles na plataforma. Embora tenha sido desbancado pelo Playstation nas vendas do mercado, a praticidade do console fez com que ganhasse títulos cujos modos multiplayer trouxessem experiências completamente novas.

Entre jogos que foram produzidos especialmente para mais de um jogador e outros que simplesmente caíram como uma luva para os modos multiplayer, o Nintendo 64 tem um vasto acervo. Vamos relembrar alguns dos mais importantes e divertidos deles, mas sem deixar os fios dos controles enrolarem!

Mario Party (Hudson/1999) – Depois de jogar tênis, golfe e andar de kart, a turma da Nintendo resolveu fazer uma festa. E então foi retomado o gênero de tabuleiro e iniciada uma série que ganha edições até hoje. Mario Party podia ser jogado por apenas um jogador, mas foi feito, como o próprio nome já diz, para ser uma festa. Juntar quatro pessoas para jogar os dados e batalhar nos mais criativos minigames era o grande barato do jogo. No Nintendo 64, chegou até Mario Party 3, e então a série migrou para as outras gerações de consoles. O primeiro, entretanto, ficou marcado como o que inaugurou a franquia – e que destruiu a alavanca dos controles.

Mario Kart 64 (Nintendo/1996) – As corridas do encanador e sua turma já haviam se consolidado no Super NES, onde surgiram. Em três dimensões e com quatro jogadores, tudo ficou ainda melhor. Jogabilidade mais complexa – mais ainda assim bastante simples, mais pistas, personagens e itens apenas ajudaram a franquia a melhorar. O modo Battle, no qual o objetivo era atingir os adversários em uma arena, acirrava a competitividade, mas era durante as corridas que os cascos vermelhos eram atirados com fúria. Vale lembrar aqui também Diddy Kong Racing, que embora tenha ficado às sombras de Mario Kart 64, também tinha um respeitado multiplayer.

Super Smash Bros. (HAL Labs/1999) – Esportes, corridas e festas foram pouco para os personagens da Nintendo. Os produtores então foram além e colocaram os mascotes para brigar. O resultado foi um dos melhores jogos já criados para Nintendo 64 e uma revolução no gênero luta. Cada jogador podia selecionar seu personagem favorito – cada um com uma ampla variedade de técnicas – e partir para a briga. Um aspecto interessante sobre Super Smash Bros. é que, diferentemente dos outros multiplayers, a tela não era dividida em duas, três ou quatro seções, e uma mesma perspectiva era compartilhada por todos os jogadores. O jogo ficou tão marcado como opção de multiplayer que campeonatos de altíssimo nível foram – e ainda são – realizados por aqui e nos EUA devido ao desenvolvimento das habilidades dos jogadores.

007 Goldeneye (Rare/1997) – Considerado um dos melhores FPS de todos os tempos, o jogo baseado no filme do agente secreto 007 era obrigatório na biblioteca de qualquer dono de um Nintendo 64. Horas e horas eram gastas em frente à televisão quando quatro pessoas se juntavam para jogar esse que foi um dos primeiros títulos de tiro para o console. A grande variedade de mapas e modos de jogo disponíveis ajudaram ainda mais a perpetuar a vida útil do jogo produzido pela Rare, responsável por outras obras-primas para o console como Perfect Dark e Donkey Kong 64.

Pokémon Stadium (HAL Labs/2000) – Depois do estrondoso sucesso no Gameboy, os monstrinhos passaram a ganhar jogos em outras plataformas. No Nintendo 64, chegaram com o que fazem de melhor – as lutas. Pokemon Stadium era basicamente um jogo de RPG: o jogador usava o monstrinho para atacar e esperava a vez do adversário. Mas o atrativo multiplayer desse título estavam nos minigames. Em paralelo ao modo de batalhas principal, havia uma pequena seleção de minigames envolvendo os bichinhos e suas habilidades especiais. Todos muito simples, mas que proporcionavam disputas acirradíssimas entre os jogadores, ainda mais por utilizar um sistema de tabela para ver quem seria o campeão. O link do vídeo é para uma compilação dos minigames de Pokemon Stadium 2, que trouxe modalidades novas e tão divertidas quanto as antigas.

Conker’s Bad Fur Day (Rare/2001) – O jogo mais politicamente incorreto e bem humorado do console trouxe uma variedade imensa de modos multiplayer. Disputa por um saco de dinheiro dentro de um cofre cheio de armas, perseguições entre homens das cavernas e dinossauros e uma guerra entre o exército de esquilos e as tropas dos ursinhos de pelúcia malvados levavam os jogadores à loucura com a carnificina cartunesca de Conker’s Bad Fur Day. O título não ficou tão famoso porque saiu já no final da vida útil do Nintendo 64, mas rendeu boas risadas e horas de diversão para quem o jogou em turma.

Turok: Rage Wars (Acclaim/1999) – A série Turok fez um grande sucesso no Nintendo 64, tornando-se uma das poucas boas opções de FPS para o console e com um sólido modo multiplayer. Turok: Rage Wars foi o primeiro a ser produzido exclusivamente para ser jogado por mais de uma pessoa. Isto é, não um modo campanha, uma história para que o jogo se desenvolvesse e o jogador avançasse. Claro que era possível jogaro sozinho, carregando os ‘bots’ (robôs programados pelo jogo, com vários níveis de dificuldades) e os caçando, mas a verdadeira diversão – e o verdadeiro propósito – do título era jogá-lo com os amigos.

International Superstar Soccer 64 (Konami/1997) – Enquanto Winning Eleven fazia rios de dinheiro para a Konami no Playstation, International Superstar Soccer era o ganha-pão da produtora no Nintendo 64. Com pouca concorrência, o excelente título de futebol rendeu partidas históricas com seus mais que conhecidos craques fictícios – Allejo, Pardilla, Carboni, Coliuto, Fuerte e Sieke – e pelas brigas por causa dos jogadores “fominhas”, o que acontecia com maior frequência quando eram quatro jogadores contra a CPU. A série ainda ganhou as versões ISS 98 e ISS 2000, ambas bastante parecidas com a original e trazendo algumas inovações.

Worms (PC)

Worms-win-cover

Se houvesse uma lista dos jogos mais insanos da história, Worms provavelmente estaria nas primeiras posições. A pessoa que imaginou minhocas guerreando com bazucas, granadas e ovelhas explosivas provavelmente é das mais sãs. Felizmente, a idéia da Team 17 rendeu um dos jogos mais divertidos e inovadores de todos os tempos, um clássico cultuado até hoje e em constante processo de renovação, um game que não será deixado de lado por muito tempo.

Worms – ‘minhocas’, no português – consiste em dois exércitos de vermes que dispõem de um arsenal de fazer inveja ao Rambo com o objetivo matar uns aos outros por pura e simples diversão. Violência desenfreada, gratuita e cartunesca entre minhocas. O que mais os jogadores poderiam pedir?

O jogo é definido pelo gênero ‘estratégia’, já que o jogador tem que planejar o ataque, escolher a arma, mirar cuidadosamente, atirar e correr para o mais longe possível. Após tudo isso, resta torcer para que a pontaria do inimigo não seja das melhores, pois o jogo funciona no sistema de turnos, ao estilo RPG. Enquanto um ataca, o outro aguarda – e reza – por sua vez. Essa mecânica apareceu pela primeira vez em Gorilla Bass, um game bem primitivo para PC, no qual dois macacos atiravam bananas um no outro apenas calculando a força e o ângulo do arremesso. Mas em Worms, as minhocas caminham, pulam e fazem de tudo para literalmente explodir o adversário.


O vídeo é da versão para Super NES, mas é muito próxima das versões para PC e Mega Drive

O arsenal é um atrativo a parte. Com 15 armas e 7 equipamentos, não há quem resista a uma guerra de minhocas. Mísseis teleguiados, ataques aéreos, dinamites e até uma ovelha são os responáveis pelo grande número de óbitos do jogo. Mas se defender também é preciso e, como uma boa minhoca, é possível ir para debaixo da terra com furadeiras, cordas ninja e teletransporte. Isso sem falar na técnica kamikaze, que sacrifica um de seus soldados, mas dá a satisfação de, muito provavelmente, levar um inimigo junto.

worms_screen002Conforme o terreno é atingido pelas explosões, vai sendo desgastado. Isso altera drasticamente a estratégia do jogo e, se usado com inteligência, pode ser mortal. Tudo, aliás, faz parte do planejamento: o tipo de arma a ser usado, qual minhoca adversária será atingida, a velocidade do vento, onde o adversário pode ir para após ser atingida. O grande atrativo de Worms não é a ação, e sim o fato de estimular a inteligência do jogador, que deve pensar em todos os aspectos do jogo antes de qualquer movimento.

A primeira edição de Worms foi lançada inicialmente para o Amiga, um console doméstico pouco conhecido, mas ganhou versões para PC, Mega Drive, Super NES e outras plataformas. Posteriormente, a série ganhou vários outros títulos – Worms World Party, Worms Armageddon, Worms Blast e vários outros – todos com melhorias nos modos de jogo, no arsenal, na mecânica, nos gráficos, enfim, em todos os aspectos. As versões posteriores dão suporte para mais de dois jogadores e até partidas online, o que torna tudo mais divertido. As minhoquinhas merecem lugar de destaque nos games por adaptar a temática da guerra a um jogo carismático, divertidíssimo e absolutamente non-sense.