Os Cavaleiros do Zodíaco nos videogames

Os Cavaleiros do Zodíaco marcaram a geração nascida no final da década de 80. Proveniente do mangá  criado por Masami Kurumada de mesmo nome (chamado Saint Seiya no Oriente e nos EUA), o anime rapidamente virou febre entre os garotos, que corriam para a sintonizar a televisão no canal Manchete durante as tardes. Bonecos, material escolar, lancheiras e centenas de outros produtos carregando as imagens dos Cavaleiros chegaram ao mercado.

Tratando-se de garotos com armaduras protegidas por constelações que se envolviam em combates extremos, Cavaleiros do Zodíaco tinha um enorme potencial para ser transformado em um jogo de sucesso, principalmente pela popularidade que atingiu no Brasil e no Japão. Mas o sucesso dos Cavaleiros na televisão não foi o mesmo dentros dos games. Os poucos títulos lançados pela Bandai – hoje Namco – foram RPGs para NES e Gameboy, no início dos anos 90. Os guerreiros estelares só foram retomados em 2005, quando ganharam um verdadeiro jogo de luta para Playstation 2 que pouco agradou. O Baú do Videogame faz uma breve retrospectiva de cada um dos títulos lançados com base no mangá e no anime dos Cavaleiros do Zodíaco.

Saint Seiya: Ougon Densetsu (NES – Bandai/1987) – O primeiro jogo dos Cavaleiros do Zodíaco lançado foi para o NES, então o grande campeão do mercado na época. O único cavaleiro controlável no jogo era Seiya de Pégaso. O estile era um RPG básico, por rodadas, com poucas opções entre os ataques. Ainda assim, tentava percorrer os mesmo eventos dos mangás – desde o momento em que Seiya conquista sua armadura, passando pela Guerra Galática e pela batalha contra os Cavaleiros Negros até chegar ao Santuário, mas apenas cinco Cavaleiros de Ouro podiam ser enfrentados. Todos os Cavaleiros de Prata, entretanto, foram reproduzidos no jogo. Apesar do nome completamente japonês, na Europa foi lançado como apenas Saint Seiya.

Saint Seiya: Ougon Densetsu Kanketsu Hen (NES – Konami/1988) – Feito nos mesmos moldes de seu antecessor, mas desta vez tratando da Batalha das 12 Casas do Zodíaco, ou seja, contava com a aparição dos Cavaleiros de Ouro. Também funcionava como um turn-based simples, com poucas opções, mas bastante fiel à saga. Por exemplo, o Cavaleiro de Dragão só pode usar o golpe Excalibur na após a casa de Capricórnio e o Cavaleiro de Fênix só pode lutar na casa de Virgem e contra o Mestre do Santuário, exatamente como ocorre no anime. Não foi lançado na Europa como o antecessor, mas ficou conhecido como Saint Seiya 2.

Saint Paradise (Gameboy – Bandai/1992) – Entre os RPGs, a versão para o Gameboy foi a mais complexa em termos de jogabilidade e adequação à série. Dessa vez, o jogo contemplava toda a saga do Santuário e até a saga de Poseidon, cronologicamente a segunda nos mangás e animes, e em vez de apenas um cavaleiro lutando por vez, o jogador tinha quatro Cavaleiros de Bronze – Andrômeda, Pégaso, Cisne e Dragão – em sua equipe, embora algumas lutas ainda acontecessem individualmente. O jogo foi lançado apenas no Japão, portanto não havia versões em inglês ou francês.

Saint Seiya Ougon Densetsuhen Perfect Edition (Wonderswan Color – Bandai/2003) – O mais desconhecido dos já desconhecidos jogos baseados no mangá. Não é para menos, já que foi lançado apenas no Japão e para o Wonderswan Color, console portátil da Bandai, que nem mesmo no Oriente fez muito sucesso. O jogo é basicamente um remake unificado das duas edições de Saint Seiya para o NES, mas teve algumas modificações e melhorias, principalmente na parte gráfica. Há pouca informação disponível sobre o título, mas os fãs o consideram o melhor RPG de toda a série envolvendo os Cavaleiros. Foi também o último jogo lançado cuja produção esteve nas mãos da Bandai.

Saint Seiya: The Sanctuary (PS2 – Dimps Corp./2005) – Mais de dez anos haviam se passado desde o lançamento do último Saint Seiya nos principais consoles quando o Playstation 2 retomou os guerreiros do zodíaco trazendo exatamente o que os fãs desejaram por anos – um jogo de luta com a possibilidade de controlar seu Cavaleiro favorito e colocá-lo para brigar com qualquer outro. Foi a primeira vez que o anime se tornou um jogo de luta, deixando de lado todo o legado de RPG construído até então. Os combates, embora sem toda a dramatização do desenho animado, ficaram bastante fiéis, assim como as animações quando os golpes eram executados. O sistema criado para fazer o cosmo dos Cavaleiros ficar mais intenso cada vez que o jogador tinha menos vida foi uma boa forma de adaptar esse aspecto do mangá. Como o nome diz, Saint Seiya: The Sanctuary era um jogo sobre a Batalha das 12 Casas, e obviamente os Cavaleiros de Ouro podiam ser escolhidos nos modos de combate livre.

Saint Seiya: The Hades (PS2 – Dimps Corp./2006) – Continuação de Saint Seiya: The Sanctuary, o último título lançado sobre os Cavaleiros do Zodíaco era exatamente igual ao seu antecessor, com a exceção de que desta vez o foco se tornou a primeira parte da Saga de Hades, que se passa ainda no Santuário. Assim como na primeira edição para o Playstation 2, o modo história seguia a trama do mangá, colocando os guerreiros frente a frente de acordo com o que foi publicado na obra de Kurumada. Personagens e modos secretos fizeram parte da gama de inovações em relação ao jogo anterior, bem como melhorias gráficas e nos controles e na jogabilidade, um pouco lenta em The Sanctuary. É o mais recente título dos Cavaleiros e continuou a tradição de não ter sido lançado oficialmente nos EUA.

Agora, uma dose extra de nostalgia, com as aberturas do anime quando este era exibido pela Manchete.

1ª Abertura

2ª Abertura

Filme: Magia versão sci-fi – Final Fantasy: The Spirits Within

Final Fantasy é indiscutivelmente a série de RPG de maior sucesso no mundo dos videogames. Desde o primeiro, lançado para o NES em 1987, até o XIII, lançao recentemente, a franquia da Square fez milhões de fãs. Em 2001, os amantes da criação de Hironobu Sakaguchi ganhariam um presente fora dos consoles, mas o que foi concebido não agradou os fãs. Não poderia ser de outra forma, visto que o filme Final Fantasy: Spirits Within não tem quase nada relacionado à consagrada série de RPG.

Antes de mais nada, o filme é classificado como ficção científica. E pelo enredo, não poderia pertencer a outro gênero. Final Fantasy: Spirits Within conta a história de um planeta no qual os humanos sobrevivem lutando contra criaturas chamadas de espectros, entidades em forma de monstros que consomem o espírito dos seres vivos. Posteriormente, descobre-se que tais espectros são fantasmas de uma raça alienígena que chegou ao tal mundo por meio de um fragmento carregando o espírito de um outro planeta, o lugar onde viviam tais extraterrestres e que foi dizimado por uma guerra. Assim como esse planeta alienígena, o mundo no qual se passa a história também tem sua alma, e os heróis do filme buscam alguns espíritos de seres vivos sobreviventes para neutralizar os espectros.

Assista ao trailer do filme

O planeta dos humanos citado na história é a Terra e  a cidade na qual se passa o filme é Nova York. Galileu e até a teoria de Gaia são citados, portanto a trama ocorre no mundo real. Há viagens interplanetárias, armas a laser, alienígenas e equipamentos futuristas, mas não há magias, guerreiros, Chocobos, labirintos, castelos e nem nada que lembre o Final Fantasy dos videogames. O único aspecto evidentemente tirado dos games é o nome do pesquisador de espíritos do longa, o professor Sid, que entretanto nada tem de parecido com o personagem presente em praticamente todos os capítulos da franquia, onde seu nome é escrito com C. Na realidade, parece mais um filme inspirado em Metroid ou Dead Space dado o caráter sci-fi.  Muito, mas muito vagamente, pode ser relacionado com o Final Fantasy III (VI no Japão), o último lançado para Super Nintendo e que tem uma história que envolve robôs e tecnologia – e ainda assim, misturando magia, a verdadeira essência da série. Outro aspecto que já foi citado em outras edições da série – a sétima, a nona e a décima – é a teoria de Gaia, mas que apareceu nos games com outro nome.

Não, não é Halo. É Final Fantasy.

Desnecessário dizer que os fãs repudiaram a criação. O mais surpreendente é que Final Fantasy: Spirits Within foi co-dirigido pelo próprio Sakaguchi, e mesmo assim não tem absolutamente nada de parecido com os jogos que o fizeram tão famoso. Ainda assim, o filme conseguiu arrecadar US$ 85 milhões em todo o mundo, um resultado significativo, e recebeu algumas indicações para premiações de menor expressividade no circuito de cinema norte-americano. Entre os grandes nomes que participaram fazendo a voz dos personagens está Alec Baldwin, que interpretou o capitão Gray Edwards.

No quesito adaptação, Final Fantasy: Spirits Within deixou muito a desejar. Mas o longa ficou famoso por ser o primeiro a usar o sistema de animação em CGI (Computer Generated Imagery) com humanos, ou seja, introduziu o caráter realista ao animar pessoas de verdade, a mesma tecnologia posteriormente usada por grandes estúdios do ramo como a Dreamworks e a Disney/Pixar. A qualidade das imagens, aliás, é o ponto forte do filme. Há cenas em que realmente parece que estamos assisitindo a uma gravação, e não a uma animação, e os personagens parecem muito pouco artificiais, o que se deve também à dublagem dos atores. Criação de imagens gráficas de humanos, aliás, foi um dos motivos que atraiu tanta atenção para o longa.

Essa sequência de imagens não lembra Metroid?

Final Fantasy: Spirits Within

Prelúdio da série Final Fantasy

Nobuo Uematsu é o criador da música que eternizou a série Final Fantasy. Presente na abertura de todos os títulos da saga principal, o Prelúdio é sem dúvida a mais reconhecida trilha pelos fãs de RPG, principalmente dos amantes desta franquia da Square. A versão do primeiro jogo – Final Fantasy I, do NES – você ouve agora e faz o download clicando neste link.

Prelúdio da série Final Fantasy by jvccarioca